{"id":217,"date":"2018-07-30T17:20:26","date_gmt":"2018-07-30T16:20:26","guid":{"rendered":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/?page_id=217"},"modified":"2025-12-12T22:49:01","modified_gmt":"2025-12-12T21:49:01","slug":"2-1-o-conhecimento","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/parte1\/capitulo2\/2-1-o-conhecimento\/","title":{"rendered":"2.1. O Conhecimento"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Retomando as quest\u00f5es que introduzimos com Castells relativas \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre cultura, produ\u00e7\u00e3o social e sistemas tecnol\u00f3gicos (2001), verifica-se que, alargando um pouco o nosso campo de an\u00e1lise, encontramos outros elementos que parecem fundamentais para compreender algumas das quest\u00f5es mais relevantes no \u00e2mbito da Web 2.0 (e da cultura digital, em geral) no que se refere \u00e0 natureza e caracter\u00edsticas da informa\u00e7\u00e3o e do conhecimento. Na obra que \u00e9 uma das grandes refer\u00eancias para a compreens\u00e3o da&nbsp;<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Postmodernity\">p\u00f3s-modernidade<\/a>, intitulada&nbsp;<i>The Condition of Postmodernity<\/i>, David Harvey (2001) escreve o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>Postmodernism swims, even wallows, in the fragmentary and the chaotic currents of change as if that is all there is. Foucault (1983, xiii) instructs us, for example, to \u201cdevelop action, thought and desires by proliferation, juxtaposition, and disjunction\u201d, and \u201cto prefer what is positive and multiple, difference over uniformity, flows over unities, mobile arrangements over systems. Believe that what is productive is not sedentary but nomadic\u201d&nbsp;<\/i>(Harvey, 2001: 44)<i>.<\/i><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num certo sentido, a cultura digital pode ser vista como um est\u00e1dio que exprime ou refor\u00e7a muitas das caracter\u00edsticas presentes na sociedade p\u00f3s-moderna: a problematiza\u00e7\u00e3o da identidade; as quest\u00f5es ligadas \u00e0 autentica\u00e7\u00e3o do discurso; o esbater das barreiras entre produtor e receptor; a fragmentaridade e a relativiza\u00e7\u00e3o do conhecimento; o esbatimento da no\u00e7\u00e3o de verdade em favor das no\u00e7\u00f5es de funcionalidade e operacionalidade; a preponder\u00e2ncia da linguagem como forma de interpretar o mundo (e o que da\u00ed resulta, dada a natureza amb\u00edgua da linguagem, mas tamb\u00e9m a sua tend\u00eancia para se instituir como poder); os efeitos de colagem e sobreposi\u00e7\u00e3o; ou uma certa resist\u00eancia \u201cintuitiva\u201d ao poder e \u00e0 autoridade, em favor da partilha e da coopera\u00e7\u00e3o (ainda, do vertical ao horizontal) (Harvey, op. cit.).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como refere Pierre L\u00e9vy (1994), o decl\u00ednio da verdade e da objectividade n\u00e3o emergiram da Internet ou do saber informatizado. S\u00e3o aspectos estruturantes da p\u00f3s-modernidade, como o s\u00e3o o relativismo, a fragmentaridade, a indetermina\u00e7\u00e3o ou a ambiguidade. O que parece ter acontecido, na linha ali\u00e1s do que diz Castells (2001), e n\u00f3s nos atrevemos a levar um pouco mais longe, \u00e9 que a p\u00f3s-modernidade encontrou na Internet e na cultura digital, em muitos aspectos, uma realiza\u00e7\u00e3o concreta e operativa de muitos dos seus pressupostos, em especial no caso da Web2.0.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Naturalmente que esta instabilidade e incerteza, ou indetermina\u00e7\u00e3o, naquilo que nos habitu\u00e1mos a ver como constantes, como o saber e o conhecimento, levantam problemas dif\u00edceis de conciliar. Escreve L\u00e9vy:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>\u00c9 grande a tenta\u00e7\u00e3o de condenar ou ignorar aquilo que nos \u00e9 estranho. \u00c9 poss\u00edvel que nem sequer nos apercebamos da exist\u00eancia de novos estilos de saber, muito simplesmente porque estes n\u00e3o correspondem aos crit\u00e9rios e \u00e0s defini\u00e7\u00f5es que nos constituem e que herd\u00e1mos da tradi\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/i>(L\u00e9vy, 1994: 149)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo quando as mudan\u00e7as s\u00e3o naturais \u2013 as que se verificam de gera\u00e7\u00e3o para gera\u00e7\u00e3o \u2013 parece emergir sempre, em alguns sectores da sociedade, o sentimento de que se est\u00e3o a perder valores e saberes fundamentais e a substitu\u00ed-los por outros de menor valor. \u00c9&nbsp;por isso que as refer\u00eancias \u00e0 degeneresc\u00eancia das novas gera\u00e7\u00f5es remontam \u00e0 Antiguidade. E, no entanto, a ser verdade, hoje estar\u00edamos certamente num est\u00e1dio de evolu\u00e7\u00e3o pr\u00f3ximo do nosso patamar de in\u00edcio. Isto quer dizer que \u00e9 dif\u00edcil compreendermos, destrin\u00e7armos, aquilo que no novo \u00e9 bom, ir\u00e1 perdurar e fazer-nos evoluir, aquilo que no novo \u00e9 mau e acabar\u00e1 por ser abandonado, aquilo que do antigo vale a pena preservar e aquilo que do antigo \u00e9 preciso abandonar. Este sentimento \u00e9 sobretudo agudizado quando, como acontece nos dias de hoje, somos apanhados em per\u00edodos de transi\u00e7\u00e3o em que emergem mudan\u00e7as estruturais profundas nas nossas formas de vida, com a agravante de, neste caso, estas ocorrerem a uma velocidade vertiginosa. Mas h\u00e1 sempre mais do que uma perspectiva a partir da qual se pode olhar para uma determinada problem\u00e1tica. Onde os mais ac\u00e9rrimos defensores dessa tradi\u00e7\u00e3o secular v\u00eaem apenas aspectos negativos e a inevit\u00e1vel decad\u00eancia da civiliza\u00e7\u00e3o, Pierre L\u00e9vy v\u00ea oportunidades e a necessidade de compreens\u00e3o do fen\u00f3meno:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>\u00c9 sempre poss\u00edvel lamentar \u00abo decl\u00ednio da cultura geral\u00bb, o pretenso \u00abbarbarismo\u00bb tecnocient\u00edfico ou a \u00abderrota do pensamento\u00bb, sendo infelizmente cultura e pensamento cristalizados numa pseudo-ess\u00eancia que n\u00e3o passa de uma imagem idealizada dos bons velhos tempos. \u00c9 mais dif\u00edcil, mas tamb\u00e9m mais \u00fatil, apreender o real que est\u00e1 a nascer, torn\u00e1-lo consciente de si mesmo, acompanhar&nbsp;e guiar os seus movimentos, de maneira a que venham \u00e0 tona as suas potencialidades mais positivas.&nbsp;<\/i>(1994: 150)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O saber informatizado, digital, n\u00e3o tem a verdade como meta, antes procura \u201ca velocidade e a pertin\u00eancia da execu\u00e7\u00e3o, a rapidez e a oportunidade da mudan\u00e7a operat\u00f3ria\u201d (op. cit.: 151). Nesse movimento em que se afasta do \u201csaber de cor\u201d, a verdade pode deixar de ser o interesse fundamental, em benef\u00edcio da operacionalidade e da velocidade (op. cit.). O que tinha uma natureza de certa forma perene adquire, nestes novos contextos de comunica\u00e7\u00e3o, um car\u00e1cter mais transit\u00f3rio e pragm\u00e1tico. Dada a pluralidade e variedade de meios atrav\u00e9s dos quais no chega a informa\u00e7\u00e3o, \u201cas mensagens escritas s\u00e3o cada vez menos recebidas ou interpretadas fora do contexto da sua emiss\u00e3o\u201d (op. cit.: 153). Por essa raz\u00e3o, e adicionando a ela o facto de o saber se transformar&nbsp;a uma velocidade crescente, elas\u201dcada vez menos s\u00e3o concebidas para durar\u201d (ibidem). Poder-se-ia pensar que este fen\u00f3meno se aplicaria apenas a situa\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o mais informal, n\u00e3o se estendendo a \u00e1reas tradicionalmente identificadas com o rigor, a verdade e a objectividade. Mas, segundo L\u00e9vy,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>[m]esmo no campo cient\u00edfico, os crit\u00e9rios de pertin\u00eancia, aqui e agora, assumem a pouco e pouco a primazia sobre os crit\u00e9rios de universalidade e de objectividade&nbsp;<\/i>(ibidem)<i>.<\/i><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste contexto dominado pela informa\u00e7\u00e3o e pelos media, caracter\u00edstico de uma era que L\u00e9vy designa como \u201cP\u00f3lo inform\u00e1tico-medi\u00e1tico\u201d, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 a verdade, consubstanciada na cr\u00edtica, na objectividade e na universalidade que constitui o crit\u00e9rio dominante, tendo sido substitu\u00edda pela efic\u00e1cia, a pertin\u00eancia local e a mudan\u00e7a. A informa\u00e7\u00e3o pode ser decomposta e recomposta, fragmentada, aglomerada em s\u00ednteses constru\u00eddas a partir de diferentes linguagens (texto,&nbsp;gr\u00e1ficos, som, v\u00eddeo); a no\u00e7\u00e3o de autoria perde estabilidade; o receptor pode tornar-se tamb\u00e9m ele um produtor. Ligado a isto,&nbsp;a pr\u00f3pria velocidade a que a informa\u00e7\u00e3o pode mudar, ser recombinada e distribu\u00edda, e&nbsp;o facto de a organiza\u00e7\u00e3o social na cultura digital tender muito mais para a coopera\u00e7\u00e3o e a partilha, ajudam a consolidar n\u00e3o s\u00f3 o subverter da objectividade como de verdades absolutas. Da\u00ed resulta uma prefer\u00eancia pelo conhecimento operacionaliz\u00e1vel, funcional, \u00fatil e adequado no momento em que precisamos dele. Se, num outro contexto ou situa\u00e7\u00e3o, esse conhecimento se revelar imperfeito ou ineficaz, podemos, dada a rapidez e a facilidade de acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, mobilizar outras combina\u00e7\u00f5es, perspectivas ou actualiza\u00e7\u00f5es que sejam mais adequadas nesse momento ou para esse fim. Como refere Scott Leslie,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>every single day I share my learning and have knowledge and learning shared back with me (\u2026) I literally don\u2019t think I could do my job any longer without it &#8211; the pace of change is too rapid, the number of developments I need to follow and master too great, and without my network I would drown.<\/i>(08-11-2008)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesta din\u00e2mica, o que importa \u00e9 que o conhecimento ou a informa\u00e7\u00e3o requeridos estejam dispon\u00edveis no momento em que s\u00e3o precisos, cheguem eles acidentalmente, atrav\u00e9s da pesquisa ou por um pedido expresso nas redes que se habitam, e sejam utiliz\u00e1veis de imediato:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>Our sharing is \u201cgood enough,\u201d not perfect; optimal, not ideal. We don\u2019t build our entire houses on this single foundation, but it sure helps get a lot of structure built quickly on many an occasion.<\/i>&nbsp;(op. cit.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na formula\u00e7\u00e3o de George Siemens (2006), assistimos \u00e0 transi\u00e7\u00e3o entre o \u201chard knowledge\u201d e o \u201csoft knowledge\u201d. O primeiro ocorre em \u00e1reas em que a mudan\u00e7a \u00e9 lenta, solidificando-se atrav\u00e9s da valida\u00e7\u00e3o por peritos e da aceita\u00e7\u00e3o do p\u00fablico. O segundo, que se desenvolveu sobretudo nas \u00faltimas d\u00e9cadas, resulta do facto de a rapidez com que as circunst\u00e2ncias evoluem n\u00e3o permitir que muitos dos elementos do conhecimento ganhem consist\u00eancia suficiente antes de serem substitu\u00eddos ou alterados. Segundo este autor, precisamos mudar a forma como entendemos e lidamos com o conhecimento:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>We have spent our history with hard\/codified knowledge as a product. We now need to learn to work with soft knowledge as a process.&nbsp;<\/i>(Siemens, 2006: 22)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, as quest\u00f5es da validade e da autenticidade do conhecimento, assim como das formas de as garantir, continuam a colocar-se, sendo necess\u00e1rio encontrar modos adequados, nestes novos contextos, de o conseguir. N\u00e3o os que passem pelos antigos modelos baseados na hierarquia e no controlo, mas por outros que se caracterizem pelo di\u00e1logo e a transpar\u00eancia, suportados em redes fi\u00e1veis e em novas&nbsp;<i>ecologias do conhecimento<\/i>&nbsp;(op. cit.). Da mesma forma que a era industrial causou profundas mudan\u00e7as na sociedade de ent\u00e3o, tamb\u00e9m agora a nossa sociedade se est\u00e1 a reestruturar em fun\u00e7\u00e3o do conhecimento. Assim, na perspectiva de Siemens:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>The barriers, inhibitors, obstacles, and unnecessary structures are giving way to models which permit effective knowledge creation, dissemination, communication, personalization, and flow.&nbsp;<\/i>(op. cit.: 69)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De consumidores de conhecimento, pass\u00e1mos a co-criadores. Estabelecemos conex\u00f5es, partilhamos, seleccionamos, recombinamos, personalizamos, tornamo-lo nosso. Neste imenso fluxo ininterrupto temos que processar o conhecimento em tempo real, de modo a podermos escolher o que \u00e9 relevante e garantir que tomamos as decis\u00f5es com base em informa\u00e7\u00e3o significativa e actualizada. H\u00e1 um sentimento de imediatismo que obriga a que os actos de interpretar e tomar decis\u00f5es se desenrolem com a mesma rapidez e no mesmo esp\u00edrito do fluxo de conhecimento (Siemens, 2006).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m das mudan\u00e7as no contexto em que o conhecimento se desenvolve, \u00e9 o pr\u00f3prio conhecimento que v\u00ea as suas caracter\u00edsticas alteradas. Siemens (op. cit.) prop\u00f5e&nbsp;<b>oito factores<\/b>&nbsp;que, segundo ele, caracterizam o conhecimento hoje, e que abordamos em seguida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>1. Abund\u00e2ncia&nbsp;<\/b>(<i>Abundance<\/i>)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Devido a uma s\u00e9rie de factores j\u00e1 apresentados, a quantidade de conhecimento dispon\u00edvel e a rapidez com que \u00e9 produzido est\u00e3o a aumentar de forma acelerada, o que nos levanta dificuldades insuper\u00e1veis em termos da nossa capacidade de aten\u00e7\u00e3o e de lidar com tal volume de informa\u00e7\u00e3o.&nbsp;Por outro lado, e como havia j\u00e1 referido L\u00e9vy (1994), a cria\u00e7\u00e3o constante de novo conhecimento faz com que o que existe se deprecie rapidamente e veja o seu tempo de vida \u00fatil drasticamente reduzido:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>An expectancy of relevance and currency of knowledge for a cycle of years and decades, has now been reduced to months and years for many disciplines.<\/i>&nbsp;(Siemens, 2006: 81)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>2. Recombina\u00e7\u00e3o<\/b>&nbsp;(<i>Recombination<\/i>)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A capacidade de conectar, recombinar e recriar s\u00e3o as marcas distintivas do conhecimento hoje. Dos pequenos n\u00facleos modulares podemos criar estruturas mais complexas e mais personalizadas, incluindo em diferentes m\u00e9dia e contextos. Passado o tempo da converg\u00eancia do conhecimento, a transfer\u00eancia de conhecimento de um campo para outro e a sua aplica\u00e7\u00e3o, que o autor designa como \u201ctransvergence\u201d (transverg\u00eancia), \u00e9 a nova realidade (op. cit.: 82).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>3. Rela\u00e7\u00e3o com a certeza&nbsp;<\/b>(<i>Relation to certainty<\/i>)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">J\u00e1 vimos, com L\u00e9vy (1994), como o conhecimento perdeu algum do seu car\u00e1cter perene e se tornou mais transit\u00f3rio e indeterminado. Para Siemens (2006), ele transforma-se num constante devir, em que a certeza (definitiva) est\u00e1 permanentemente suspensa: fazemos uma descoberta, algu\u00e9m a desenvolve e amplia (transverg\u00eancia), ou \u00e9 refutada por nova investiga\u00e7\u00e3o, ou as condi\u00e7\u00f5es em que se funda mudaram e temos que a actualizar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>4. Ritmo de desenvolvimento&nbsp;<\/b>(<i>Pace of development<\/i>)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao ritmo e volume que o conhecimento \u00e9 produzido, \u00e9 imposs\u00edvel assimilarmos tudo o que \u00e9 relevante e preciso para preencher as nossas necessidades. \u201cThe pipe is more important than the content within\u201d \u00e9 a forma que Siemens (2006: 83) encontra para dizer que, mais importante do que o conhecimento que temos num determinado momento, \u00e9 a capacidade de aprendermos o que vamos precisar amanh\u00e3. Na falta ou insufici\u00eancia desse conhecimento, \u00e9 fulcral que possamos contar com bons canais de comunica\u00e7\u00e3o&nbsp;atrav\u00e9s dos quais nos possamos ligar \u00e0s fontes que nos possam fornec\u00ea-lo, um pouco como Scott Leslie (08-11-2008) reportava a prop\u00f3sito das suas redes de suporte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>5. Representa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de m\u00e9dia&nbsp;<\/b>(<i>Representation through media<\/i>)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>Knowledge is amplified in the multiplicity of representation choices.&nbsp;<\/i>(Siemens, 2006: 84)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num contexto rico em&nbsp;<i>media<\/i>, podemos agora comunicar as nossas experi\u00eancias e emo\u00e7\u00f5es de modos muito diversificados e expressivos: atrav\u00e9s de texto, v\u00eddeo, \u00e1udio, jogos, etc.. J\u00e1 n\u00e3o temos que restringir-nos ao uso de um&nbsp;<i>medium<\/i>&nbsp;\u00fanico; antes, podemos escolher a abordagem que considerarmos mais adequada tendo em conta o contexto, os recursos e as necessidades que identificamos. A multiplicidade inerente ao conhecimento \u00e9 agora expressa por muitos indiv\u00edduos de formas muito diversas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>6. Fluxo&nbsp;<\/b>(<i>Flow<\/i>)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Numa economia do conhecimento, criar, preservar e utilizar o seu fluxo \u00e9 uma actividade fundamental. Na passagem de uma organiza\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica para uma organiza\u00e7\u00e3o em rede, \u00e9 crucial tratar dos aspectos que podem inibir ou facilitar o fluxo do conhecimento na rede. Os inibidores de fluxo (<i>flow inhibitors<\/i>), internos ou externos, como, por exemplo, resist\u00eancias, ideias&nbsp;preconcebidas, a burocracia ou uma certa cultura de (n\u00e3o) partilha de conhecimento s\u00e3o elementos que reduzem o fluxo de conhecimento e de informa\u00e7\u00e3o numa rede ou entre redes. J\u00e1 a receptividade e a motiva\u00e7\u00e3o, enquanto elementos internos ao indiv\u00edduo, ou uma cultura de abertura e o reconhecimento do valor da colabora\u00e7\u00e3o, enquanto elementos externos, funcionam como aceleradores do fluxo, facilitando processos r\u00e1pidos de produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o do conhecimento, bem como de forma\u00e7\u00e3o de redes. (Siemens, 2006)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>7. Espa\u00e7os e estruturas de organiza\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o do conhecimento&nbsp;<\/b>(<i>Spaces and structures of knowledge organization and dissemination<\/i>)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os espa\u00e7os (escolas, museus, o ciberespa\u00e7o) e as estruturas (sistemas de classifica\u00e7\u00e3o, hierarquias, governo) s\u00e3o os elementos organizacionais da sociedade. Os primeiros constituem o ambiente em que interagimos e partilhamos, as segundas fornecem o processo e o modo atrav\u00e9s dos quais tomamos decis\u00f5es e o conhecimento flui. Na evolu\u00e7\u00e3o para uma sociedade do conhecimento,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>Ecologies and networks provide the solution to needed structures and spaces to house and facilitate knowledge flow.&nbsp;<\/i>(Siemens, 2006: 86)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As ecologias, enquanto entidades org\u00e2nicas, s\u00e3o muito adaptativas e lidam bem com o crescimento r\u00e1pido e a emerg\u00eancia de novas ideias e circunst\u00e2ncias. Enquanto ambientes de partilha de conhecimento, elas devem ter caracter\u00edsticas que potenciem e facilitem a sua cria\u00e7\u00e3o e fluxo. Nas palavras de Siemens,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>An ecology, a knowledge sharing environment, should have the following components: informal, not structured; tool-rich; consistency and time; trust; simplicity; decentralized, fostered, connected; high tolerance for experimentation and failure.&nbsp;<\/i>(2006: 87-88)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As redes, por seu lado, surgem como o novo modelo estrutural, substituindo o fluxo de causa-efeito, controlado a partir do topo, caracter\u00edstico das hierarquias, pelo modelo adaptativo das redes, emergente, din\u00e2mico e flex\u00edvel. Enquanto o modelo hier\u00e1rquico procura adaptar o conhecimento \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o, o modelo em rede procura adaptar a organiza\u00e7\u00e3o ao conhecimento. Apresenta-se, em seguida, um quadro em que se comparam as principais diferen\u00e7as entre os dois modelos estruturais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table class=\"has-fixed-layout\"><tbody><tr><td class=\"has-text-align-right\" data-align=\"right\"><strong>HIERARQUIAS<\/strong><\/td><td><strong>REDES<\/strong><\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-right\" data-align=\"right\">Est\u00e1ticas<br>\n(Static)<\/td><td>Din\u00e2micas<br>\n(Dynamic)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-right\" data-align=\"right\">Estruturadas (\u00e0 partida)<br>\n(Structured [in advance])<\/td><td>Estrutura fluida<br>\n(Flowing structure)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-right\" data-align=\"right\">Est\u00e1veis<br>\n(Stable)<\/td><td>Igualdade (em teoria)<br>\nEquality (in theory)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-right\" data-align=\"right\">Geridas<br>\n(Managed)<\/td><td>Entidades conectadas<br>\n(Connected entities)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-right\" data-align=\"right\">Fronteiras<br>\n(Boundaries)<\/td><td>Estrutura definida pelos processos e pelos participantes<br>\n(Participant &amp; process defined structure)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-right\" data-align=\"right\">Centralizadas<br>\n(Centralized)<\/td><td>Descentralizadas<br>\n(Decentralized)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-right\" data-align=\"right\">Certeza<br>\n(Certainty)<\/td><td>Adaptativas<br>\n(Adaptive)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-right\" data-align=\"right\">Geridas e criadas<br>\n(Managed and created)<\/td><td>Apoiadas e fomentadas<br>\n(Nurtured and fostered)<\/td><\/tr><tr><td class=\"has-text-align-right\" data-align=\"right\">Pr\u00e9-filtradas<br>\n(Pre-filtered)<\/td><td>Emergentes<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Quadro 2 &#8211; Knowing Knowledge. George Siemens (2006: 91).&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><b>8. Descentraliza\u00e7\u00e3o&nbsp;<\/b>(<i>Decentralization<\/i>)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das grandes vantagens da descentraliza\u00e7\u00e3o do conhecimento \u00e9 que ela permite aos utilizadores organizarem-no, eles pr\u00f3prios, de modos que lhes sejam mais \u00fateis do que os produzidos por outros (peritos, editores, etc.). Aos agentes centralizadores do passado (televis\u00e3o, jornal, r\u00e1dio), que organizavam e estruturavam a informa\u00e7\u00e3o que consum\u00edamos, sucedemos n\u00f3s enquanto organizadores activos de agentes individuais. Somos n\u00f3s quem decide como se agrega e organiza a informa\u00e7\u00e3o que nos interessa; somos n\u00f3s que tecemos as nossas redes. Como refere Siemens,&nbsp;<i>&nbsp;<\/i><\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>\u201cKnow where\u201d is replacing \u201cknow what\u201d and \u201cknow how.\u201d The rapid, continual knowledge flow cannot be contained and held in the human mind. To survive, we extend ourselves through our networks: computers, humans, databases, and still unfolding new tools.&nbsp;<\/i>(2006: 93)<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"362\" height=\"265\" data-attachment-id=\"218\" data-permalink=\"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/parte1\/capitulo2\/2-1-o-conhecimento\/fig_3_kk_filtros\/\" data-orig-file=\"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/fig_3_KK_filtros.png\" data-orig-size=\"362,265\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"fig_3_KK_filtros\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/fig_3_KK_filtros.png\" src=\"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/fig_3_KK_filtros.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-218\" srcset=\"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/fig_3_KK_filtros.png 362w, https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/fig_3_KK_filtros-300x220.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 362px) 100vw, 362px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>Fig. 3 &#8211; Knowing Knowledge. George Siemens (2006: 94).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, esta nova ecologia tamb\u00e9m tem os seus riscos. Os agentes centralizadores permitem a cria\u00e7\u00e3o de uma linguagem e compreens\u00e3o partilhadas que possibilitam o di\u00e1logo entre perspectivas divergentes ou contradit\u00f3rias. Se deixamos de partilhar com outros esses agentes e passarmos a receber informa\u00e7\u00e3o a partir de fontes ou redes que apenas reflectem ou refor\u00e7am os pontos de vista que j\u00e1 possu\u00edmos, isso dificultar\u00e1 o di\u00e1logo e a interac\u00e7\u00e3o com pontos de vista divergentes, que permitiriam uma vis\u00e3o global mais equilibrada e mais adequada. Logo, temos que ir para al\u00e9m do encontro ocasional com a diversidade e procur\u00e1-la activa e intencionalmente. Nas palavras de Siemens,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>It is to our health that we consume information from differing spectrums of thought. Whatever our view or perspective, as actors on a global stage, we need to move (at minimum) to dialogue with those around us.&nbsp;<\/i><i>Closing spaces equals closing minds.<\/i>&nbsp;(2006: 95)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Este aspecto est\u00e1 intimamente ligado a outro, que \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o din\u00e2mica, e nem sempre pac\u00edfica, entre o individual e o colectivo na Web 2.0. J\u00e1 referimos no cap\u00edtulo anterior alguns elementos relevantes para a compreens\u00e3o desta problem\u00e1tica, mas parece-nos importante clarificar um pouco melhor algumas no\u00e7\u00f5es n\u00e3o raramente confundidas ou mal interpretadas, como a \u201csabedoria das multid\u00f5es\u201d (<i>wisdom of crowds<\/i>), a intelig\u00eancia colectiva, os grupos ou as redes.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><\/h3>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Castells, Manuel (2001).&nbsp;<em>La Galaxia Internet<\/em>. Barcelona: Aret\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Harvey, David (2001).&nbsp;<em>The Condition of Postmodernity \u2013 An Enquiry into the Origins of Cultural Change<\/em>. Cambridge MA: Blackwell (ed. original 1990).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Leslie, Scott (08-11-2008). Planning to Share versus Just Sharing.&nbsp;<em>Edtechpost<\/em>. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a title=\"http:\/\/www.edtechpost.ca\/wordpress\/2008\/11\/08\/just-share-already\/\" href=\"http:\/\/www.edtechpost.ca\/wordpress\/2008\/11\/08\/just-share-already\/\">http:\/\/www.edtechpost.ca\/wordpress\/2008\/11\/08\/just-share-already\/<\/a>[acedido em 15-12-2008].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">L\u00e9vy, Pierre (1994).&nbsp;<em>As Tecnologias da Intelig\u00eancia: o Futuro do Pensamento na Era Inform\u00e1tica<\/em>. Lisboa: Instituto Piaget. [Edic\u00e3o original francesa de 1990 pelas \u00c9ditions La D\u00e9couverte].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Siemens, George (2006).\u00a0<em>Knowing Knowledge<\/em>. Dispon\u00edvel em\u00a0<a title=\"http:\/\/www.elearnspace.org\/KnowingKnowledge_LowRes.pdf\" href=\"http:\/\/www.elearnspace.org\/KnowingKnowledge_LowRes.pdf\">http:\/\/www.elearnspace.org\/KnowingKnowledge_LowRes.pdf<\/a>\u00a0[acedido em 15-12-2008]. <a href=\"https:\/\/archive.org\/details\/KnowingKnowledge\">Liga\u00e7\u00e3o atualizada 12-12-2025<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retomando as quest\u00f5es que introduzimos com Castells relativas \u00e0s rela\u00e7\u00f5es entre cultura, produ\u00e7\u00e3o social e sistemas tecnol\u00f3gicos (2001), verifica-se que, alargando um pouco o nosso campo de an\u00e1lise, encontramos outros elementos que parecem fundamentais para compreender algumas das quest\u00f5es mais relevantes no \u00e2mbito da Web 2.0 (e da cultura digital, em geral) no que se &hellip; <\/p>\n<p><a class=\"more-link btn\" href=\"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/parte1\/capitulo2\/2-1-o-conhecimento\/\">Continue reading<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":209,"menu_order":1,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-217","page","type-page","status-publish","hentry","nodate","item-wrap"],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/Pa84sl-3v","jetpack_sharing_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/217","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=217"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/217\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1024,"href":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/217\/revisions\/1024"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/209"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}