{"id":228,"date":"2018-07-30T17:52:14","date_gmt":"2018-07-30T16:52:14","guid":{"rendered":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/?page_id=228"},"modified":"2026-09-05T17:25:52","modified_gmt":"2026-09-05T16:25:52","slug":"2-2-o-individual-e-o-colectivo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/parte1\/capitulo2\/2-2-o-individual-e-o-colectivo\/","title":{"rendered":"2.2. O Individual e o Colectivo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda muito recentemente, Richard Nantel, referindo-se ao conceito de&nbsp;<i>Wisdom of Crowds<\/i>&nbsp;avan\u00e7ado por Surowiecki na obra com este t\u00edtulo (2004), escrevia que<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><em>the benefit of collaboration over individual effort has been embraced as dogma. It\u2019s now difficult to find anyone who believes that the work of an individual can be better than what is produced by a group (&#8230;) I disagree with the belief that the results of a group effort will usually produce superior results to the efforts of skilled individuals. (12-11-2008)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Stephen Downes, disponibilizando a liga\u00e7\u00e3o a este&nbsp;<i>post<\/i>&nbsp;no mega-filtro que \u00e9 a sua&nbsp;<i>newsletter&nbsp;<\/i>di\u00e1ria&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.downes.ca\/news\/OLDaily.htm\">OLDaily<\/a>&nbsp;(<i>Online Learning Daily<\/i>), comentava:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>Once again (*sigh*) the point of the Wisdom of Crowds and related writing (including my own) is not &#8220;the benefit of collaboration over individual effort.&#8221; It&#8217;s not about &#8216;collaboration&#8217; (in its many forms at all). Nor is it that &#8220;the results of a group effort will usually produce superior results to the efforts of skilled individuals.&#8221; There is a distinction between groups and networks that must be heeded if you want to understand things like &#8216;the wisdom of crowds&#8217; at all.<\/i>(13-11-2008)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O *suspiro* (<i>sigh<\/i>) de Downes demonstra bem o quanto esta dificuldade em percepcionar de forma clara os v\u00e1rios conceitos relacionados com as diversas formas de \u201ccolectivo\u201d se tem arrastado ao longo dos anos. A no\u00e7\u00e3o de um certo colectivismo igualit\u00e1rio, que exalta as virtudes dos grupos e dos esfor\u00e7os colaborativos (entendidos numa perspectiva muito reducionista) e apaga as diferen\u00e7as individuais, que Nantel critica na entrada acima referida, acabou por se disseminar em muitos c\u00edrculos e tem merecido fortes reac\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num ensaio publicado no site da&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.edge.org\/\">Edge Foundation<\/a>, com o t\u00edtulo sugestivamente pol\u00e9mico de&nbsp;<i>DIGITAL MAOISM: The Hazards of the New Online Collectivism<\/i>, Jaron Lanier (30-05-2006) desenvolve uma forte cr\u00edtica a esta no\u00e7\u00e3o de colectivismo que, segundo ele, est\u00e1 a desumanizar a Web:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>In the last year or two the trend has been to remove the scent of people, so as to come as close as possible to simulating the appearance of content emerging out of the Web as if it were speaking to us as a supernatural oracle.&nbsp;<\/i><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cr\u00edtica de Lanier dirige-se, por um lado, \u00e0 Wikip\u00e9dia (\u00e0quilo de que ela \u00e9 um exemplo de grande sucesso), i.e. ao facto de as entradas serem produzidas por um colectivo sem nome, apenas alcunhas (<i>nicknames<\/i>), ainda assim em rela\u00e7\u00e3o aos quais se torna muito dif\u00edcil identificar as contribui\u00e7\u00f5es individuais ou um princ\u00edpio editorial. Para ele, um nome, uma \u201cvoz\u201d, s\u00e3o o que d\u00e1 contexto e reflecte uma personalidade, o que permite compreender de forma muito mais completa do que quando se est\u00e1 perante um texto an\u00f3nimo, sem garantia de autenticidade e sem contexto. Outra cr\u00edtica que Lanier avan\u00e7a tem a ver com os&nbsp;<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Aggregator\">agregadores<\/a>, relativamente aos quais, segundo ele, se tem assistido a uma corrida no sentido de \u201cquanto maior melhor\u201d, numa tentativa de conseguir atingir o maior \u201cmeta-agregador\u201d poss\u00edvel. Escreve ele que<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>We now are reading what a collectivity algorithm derives from what other collectivity algorithms derived from what collectives chose from what a population of mostly amateur writers wrote anonymously.<\/i>&nbsp;(30-05-2006)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta massa de escritores amadores, publicando anonimamente, faz com not\u00edcias triviais, ro\u00e7ando por vezes o rid\u00edculo ou o pat\u00e9tico, soterrem as not\u00edcias realmente relevantes, escritas maioritariamente por escritores e editores profissionais devidamente identificados. O que Lanier parece n\u00e3o discutir aqui \u00e9 que os utilizadores t\u00eam o poder de escolher os s\u00edtios que visitam ou em que participam. Para este autor, \u201cthe hive mind is for the most part stupid and boring. Why pay attention to it?\u201d (op. cit.). O autor relaciona esta quest\u00e3o da atrac\u00e7\u00e3o pelo colectivismo an\u00f3nimo que, segundo ele, parece assolar a Internet, com a da Intelig\u00eancia Artificial que, para alguns, poderia emergir (ou estar j\u00e1 mesmo presente) como uma entidade na Internet, o que Lanier considera errado e absurdo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>The beauty of the Internet is that it connects people. The value is in the other people. If we start to believe the Internet itself is an entity that has something to say, we&#8217;re devaluing those people and making ourselves into idiots.<\/i>&nbsp;(op. cit.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assistimos, na sua perspectiva, a uma glorifica\u00e7\u00e3o falaciosa do colectivo infal\u00edvel, que leva a que as compet\u00eancias e capacidades individuais sejam sacrificadas \u00e0 massa indistinta de um grupo que, em \u00faltima an\u00e1lise, se torna normativa e opressora. Lanier reconhece existirem situa\u00e7\u00f5es em que o colectivo pode ser mais competente do que um \u00fanico indiv\u00edduo, que refere como instancia\u00e7\u00f5es da \u201csabedoria das multid\u00f5es\u201d (<i>wisdom of crowds<\/i>)&nbsp;[1]. Mas tamb\u00e9m existem muitos outros em que os colectivos funcionam mal e produzem resultados maus (as bolhas na Bolsa de valores, o bug do ano 2000 s\u00e3o dois dos exemplos que d\u00e1). No fundo, as situa\u00e7\u00f5es em que um colectivo e os indiv\u00edduos revelam intelig\u00eancia ou estupidez s\u00e3o diferentes, e \u00e9 por isso que ambos s\u00e3o essenciais, segundo ele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Kathy Sierra, numa entrada com um t\u00edtulo tamb\u00e9m muito sugestivo,&nbsp;<i>The \u201cDumbness of Crowds\u201d<\/i>&nbsp;(02-01-2007), tem uma abordagem menos radical a esta quest\u00e3o. Embora exaltando as virtudes do indiv\u00edduo (o exemplo dado \u00e9 Steve Jobs, director executivo da Apple) face ao colectivo, tenta uma compara\u00e7\u00e3o mais sistem\u00e1tica entre as duas esferas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"366\" height=\"456\" data-attachment-id=\"229\" data-permalink=\"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/parte1\/capitulo2\/2-2-o-individual-e-o-colectivo\/k_sierra_individual_colectivo\/\" data-orig-file=\"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/k_sierra_individual_colectivo.png\" data-orig-size=\"366,456\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"k_sierra_individual_colectivo\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"\" data-large-file=\"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/k_sierra_individual_colectivo.png\" src=\"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/k_sierra_individual_colectivo.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-229\" srcset=\"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/k_sierra_individual_colectivo.png 366w, https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/k_sierra_individual_colectivo-241x300.png 241w\" sizes=\"auto, (max-width: 366px) 100vw, 366px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>&nbsp;Fig. 4 \u201dThe Dumbness of Crowd\u201d. Kathy Sierra (02-01-2007).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Focalizando a aten\u00e7\u00e3o nas interpreta\u00e7\u00f5es err\u00f3neas que t\u00eam sido feitas do conceito de \u201csabedoria das multid\u00f5es\u201d, de Surowiecki, Kathy Sierra (02-01-2007) afirma que esta sabedoria n\u00e3o resulta de consensos ou esfor\u00e7os comuns, mas antes da agrega\u00e7\u00e3o do conhecimento independente dos indiv\u00edduos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>It&#8217;s the sharp edges, gaps, and differences in individual knowledge that make the wisdom of crowds work.<\/i><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tendo aspectos merit\u00f3rios, a verdade \u00e9 que esta sua reflex\u00e3o, quando avan\u00e7a para exemplos em que contrasta aquilo que passa a designar por \u201cintelig\u00eancia colectiva\u201d (<i>collective intelligence<\/i>) e \u201ca estupidez das multid\u00f5es\u201d (<i>the dumbness of crowds<\/i>), n\u00e3o evita cair ela pr\u00f3pria em algumas confus\u00f5es e mal-entendidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vejamos como Pierre L\u00e9vy, um dos autores mais relevantes nesta \u00e1rea, define o conceito de \u201cintelig\u00eancia colectiva\u201d:&nbsp;<i>\u201c<\/i><\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>Collective intelligence&#8221; is defined as the capacity of human communities to co-operate intellectually in creation, innovation and invention. As our society becomes more and more knowledge-dependent, this collective ability becomes of fundamental importance.<\/i>&nbsp;(Canada Research Chairs: Canada Research Chair in Collective Intelligence)[2]<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para este autor, a intelig\u00eancia colectiva est\u00e1 presente nas sociedades animais, mas devido \u00e0 linguagem, \u00e0 t\u00e9cnica e \u00e0s institui\u00e7\u00f5es complexas que caracterizam a esp\u00e9cie humana, atingiu com a humanidade uma dimens\u00e3o totalmente diferente:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>L&#8217;\u00e9volution culturelle humaine peut \u00eatre consid\u00e9r\u00e9e comme un lent processus de croissance de l&#8217;intelligence collective.<\/i>&nbsp;(25-08-2003)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 por essa raz\u00e3o que se torna crucial para o sucesso das sociedades modernas compreender de que forma os processos de intelig\u00eancia colectiva podem ser expandidos pelas redes digitais. Um aspecto comum destas novas formas de intelig\u00eancia colectiva, segundo L\u00e9vy, \u00e9 uma estrutura de comunica\u00e7\u00e3o \u201ctodos-para-todos\u201d. O ciberespa\u00e7o oferece, deste modo, instrumentos de constru\u00e7\u00e3o cooperativa de um contexto comum a grupos n\u00e3o s\u00f3 numerosos, como tamb\u00e9m geograficamente dispersos (17-03-2002). Contudo, n\u00e3o se trata apenas da difus\u00e3o ou distribui\u00e7\u00e3o de mensagens, mas sim de uma interac\u00e7\u00e3o que implica a negocia\u00e7\u00e3o de significados e um processo de reconhecimento m\u00fatuo de indiv\u00edduos e de grupos numa situa\u00e7\u00e3o de comunica\u00e7\u00e3o que cada um contribui para modificar ou estabilizar. O aspecto fundamental passa pela objectiva\u00e7\u00e3o parcial do mundo virtual de significados dados \u00e0 partilha e \u00e0 reinterpreta\u00e7\u00e3o dos participantes nestes dispositivos de comunica\u00e7\u00e3o de todos-para-todos. Esta objectiva\u00e7\u00e3o din\u00e2mica de um contexto colectivo \u00e9 um operador da intelig\u00eancia colectiva, uma esp\u00e9cie de consci\u00eancia comum, uma subjectiva\u00e7\u00e3o viva que reenvia para uma objectiva\u00e7\u00e3o din\u00e2mica: \u201cL\u2019objet commun suscite dialectiquement un sujet collectif\u201d (op. cit.).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Howard Rheingold, na confer\u00eancia gravada para as Ted Talks intitulada&nbsp;<i>Way-new collaboration<\/i>&nbsp;(02-2008), apresenta uma perspectiva em muitos aspectos pr\u00f3xima desta desenvolvida por L\u00e9vy. Do resumo\/apresenta\u00e7\u00e3o da confer\u00eancia:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>Howard Rheingold talks about the coming world of collaboration, participatory media and collective action \u2013 and how Wikipedia is really an outgrowth of our natural human instinct to work as a group.<\/i><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como vemos, estamos aqui longe das perspectivas muito negativas de Lanier quanto \u00e0 cultura participat\u00f3ria e \u00e0 Wikip\u00e9dia, ou da no\u00e7\u00e3o de \u201cintelig\u00eancia colectiva\u201d avan\u00e7ada por Kathy Sierra. Para Rheingold (02-2008), a vis\u00e3o tradicional da nossa evolu\u00e7\u00e3o enquanto esp\u00e9cie baseada na competi\u00e7\u00e3o e na sobreviv\u00eancia dos mais aptos \u00e9 apenas uma parte da hist\u00f3ria, porque ela n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>It\u2019s a narrative spread across a number of different disciplines in which cooperation, collective action, and complex interdependencies play a more important role and the central, but not all important role of competition and survival of the fittest shrinks just a little bit to make room.&nbsp;<\/i>(Rheingold, 02-2008: 1m 13s)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E nessa narrativa o autor v\u00ea uma rela\u00e7\u00e3o interdependente, uma co-evolu\u00e7\u00e3o, entre os meios de comunica\u00e7\u00e3o humanos (<i>human communication media<\/i>) e as formas como nos organizamos socialmente. Da\u00ed que, numa era em que s\u00e3o abundantes as tecnologias que permitem cooperar e partilhar, seja importante aprofundar essa ac\u00e7\u00e3o colectiva que nos trouxe at\u00e9 aqui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Agora que esclarecemos o conceito de \u201cintelig\u00eancia colectiva\u201d no seu sentido original, poderemos, talvez, aprofundar e explicitar um pouco mais o de \u201csabedoria das multid\u00f5es\u201d (<i>wisdom of crowds<\/i>). Na sua an\u00e1lise da obra de&nbsp;Surowiecki, Jason Kottke (14-07-2004) sintetiza as quatro condi\u00e7\u00f5es que t\u00eam que estar presentes, segundo o autor, para que o conceito se aplique:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent1 wp-block-paragraph\"><b>1. Diversidade<\/b>&nbsp;\u2013 Um grupo em que existam muitos pontos de vista distintos tomar\u00e1 melhores decis\u00f5es do que outro em que todos t\u00eam a mesma informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent1 wp-block-paragraph\"><b>2. Independ\u00eancia<\/b>&nbsp;\u2013 As opini\u00f5es das pessoas n\u00e3o s\u00e3o determinadas pelos que as rodeiam.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent1 wp-block-paragraph\"><b>3. Descentraliza\u00e7\u00e3o<\/b>&nbsp;\u2013 N\u00e3o h\u00e1 um local central onde resida o poder, e muitas das decis\u00f5es importantes s\u00e3o tomadas por indiv\u00edduos com base no seu conhecimento local e espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent1 wp-block-paragraph\"><b>4. Agrega\u00e7\u00e3o<\/b>&nbsp;\u2013 Torna-se necess\u00e1rio determinar, de alguma forma, a resposta do grupo a partir das respostas individuais dos seus membros. Esta parece ser a condi\u00e7\u00e3o mais dif\u00edcil de satisfazer, dado existirem muitas formas diferentes de agregar opini\u00f5es e de nem todas serem adequadas para uma situa\u00e7\u00e3o particular.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Garantindo-se estas quatro condi\u00e7\u00f5es, o resultado ser\u00e1 que os erros poss\u00edveis&nbsp;na tomada de decis\u00e3o (ou a maior parte deles, pelo menos) ser\u00e3o eliminados. Nas palavras de&nbsp;Surowiecki, citado por Kottke (14-07-2004):&nbsp;<i>&nbsp;<\/i><\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>If you ask a large enough group of diverse, independent people to make a prediction or estimate a probability, and then average those estimates, the errors of each of them makes in coming up with an answer will cancel themselves out. Each person&#8217;s guess, you might say, has two components: information and error.&nbsp;<\/i><i>Subtract the error, and you&#8217;re left with the information.<\/i><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dave Snowden (06-11-2007), a partir de uma apresenta\u00e7\u00e3o de&nbsp;Surowiecki sobre esta tem\u00e1tica na mesma data, prop\u00f5e um resumo que n\u00e3o se afasta muito do de Kottke, embora, desta vez, as condi\u00e7\u00f5es essenciais para que uma multid\u00e3o seja mais s\u00e1bia (<i>wiser<\/i>) que qualquer dos seus membros individualmente sejam reduzidas a tr\u00eas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent1 wp-block-paragraph\">1. Deve haver forma de agregar as respostas individuais para produzir um julgamento colectivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent1 wp-block-paragraph\">2. Tem que haver diversidade cognitiva no grupo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent1 wp-block-paragraph\">3. Cada participante tem que tomar as suas decis\u00f5es independentemente dos outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Snowden, e \u00e9 essa contribui\u00e7\u00e3o que nos parece poder ajudar a clarificar o conceito um pouco mais, isto faz sentido porque<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>it links in with large number mathematics &#8211; assuming a chaotic system in which each agent is independent of the other, thus probability and statistical distributions work.<\/i>&nbsp;(06-11-2007)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como s\u00famula final relativa a estes aspectos, recorramos a Henry Jenkins, Director do Programa de Estudos de Media Comparados do MIT e ao seu&nbsp;<i>Collective Intelligence vs. The Wisdom of Crowds&nbsp;<\/i>(27-11-2006). Nele, Jenkins procura clarificar as diferen\u00e7as entre estes dois conceitos e f\u00e1-lo de uma forma que nos parece simples e eficaz. Relativamente \u00e0 \u201cintelig\u00eancia colectiva\u201d proposta por L\u00e9vy, escreve:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>In the classic formulation, collective intelligence refers to a situation where nobody knows everything, everyone knows something, and what any given member knows is accessible to any other member upon request on an ad hoc basis.&nbsp;<\/i>(Henry Jenkins, 27-11-2006)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ou seja, o modelo de L\u00e9vy centra-se nos processos deliberativos que se desenvolvem nas comunidades online quando os participantes partilham informa\u00e7\u00e3o, corrigem e avaliam as contribui\u00e7\u00f5es uns dos outros, e alcan\u00e7am uma compreens\u00e3o consensual. J\u00e1 o modelo de Surowiecki procura agregar dados produzidos de forma an\u00f3nima, emergindo a sabedoria (<i>wisdom<\/i>) quando um grande n\u00famero de pessoas insere os seus c\u00e1lculos sem que influenciem as contribui\u00e7\u00f5es uns dos outros. Em suma, escreve Jenkins,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>The Wisdom of Crowds model focuses on isolated inputs: the Collective Intelligence model focuses on the process of knowledge production. The gradual refinement of the Wikipedia would be an example of collective intelligence at work.&nbsp;<\/i>(27-11-2006)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existem outras contribui\u00e7\u00f5es importantes para compreender estes fen\u00f3menos da colabora\u00e7\u00e3o e das v\u00e1rias formas como o individual e o colectivo se entrecruzam na Web, nomeadamente de Stephen Downes, com o seu artigo&nbsp;<i>Groups vs Networks: The Class Struggle Continues<\/i>&nbsp;(27-09-2006), ou de Terry Anderson, com&nbsp;<i>On Groups, Networks and Collectives<\/i>(30-04-2007) e, cerca de ano e meio depois,&nbsp;<i>More on Groups versus Networks and Collectives<\/i>&nbsp;(20-10-2008). Mas dado que se orientam mais para as quest\u00f5es da aprendizagem e s\u00e3o muito relevantes para v\u00e1rios dos aspectos que abordaremos posteriormente, trataremos dessas perspectivas na segunda parte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Notas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[1] O exemplo avan\u00e7ado \u00e9 o de uma esp\u00e9cie de ritual de inicia\u00e7\u00e3o que, segundo ele, \u00e9 costume fazer-se com grupos de estudantes de economia. Pergunta-se a um grupo numeroso de estudantes quantos rebu\u00e7ados est\u00e3o dentro de um determinado pote e, embora os palpites individuais exibam grande varia\u00e7\u00e3o, a m\u00e9dia aproxima-se bastante do n\u00famero exacto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[2]&nbsp;A julgar pelo site&nbsp;<i>The Canada Research Chair on Collective Intelligence at the University of Ottawa<\/i>, em&nbsp;<a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/20030401172932\/www.collectiveintelligence.info\/\">http:\/\/web.archive.org\/web\/20030401172932\/www.collectiveintelligence.info\/<\/a>, este projecto de Pierre L\u00e9vy era ambicioso e de grande relev\u00e2ncia, mas parece entretanto ter-se ficado pelas inten\u00e7\u00f5es iniciais.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anderson, Terry (20-10-2008). More on Groups versus Networks and Collectives.&nbsp;<em>Virtual Canuck<\/em>. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a title=\"http:\/\/terrya.edublogs.org\/2008\/10\/20\/more-on-groups-versus-networks-and-collectives\/\" href=\"http:\/\/terrya.edublogs.org\/2008\/10\/20\/more-on-groups-versus-networks-and-collectives\/\">http:\/\/terrya.edublogs.org\/2008\/10\/20\/more-on-groups-versus-networks-and&#8230;<\/a>&nbsp;[acedido em 15-12-2008]. <a href=\"https:\/\/virtualcanuck.ca\/2008\/10\/20\/more-on-groups-versus-networks-and-collectives\/\">Liga\u00e7\u00e3o atualizada 12-12-2025<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Anderson, Terry (30-04-2007). On Groups, Networks and Collectives.&nbsp;<em>Virtual Canuck<\/em>. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a title=\"http:\/\/terrya.edublogs.org\/2007\/04\/30\/on-groups-networks-and-collectives\/\" href=\"http:\/\/terrya.edublogs.org\/2007\/04\/30\/on-groups-networks-and-collectives\/\">http:\/\/terrya.edublogs.org\/2007\/04\/30\/on-groups-networks-and-collectives\/<\/a>&nbsp;[acedido em 15-12-2008]. <a href=\"https:\/\/virtualcanuck.ca\/2007\/04\/30\/on-groups-networks-and-collectives\/\">Liga\u00e7\u00e3o atualizada 12-12-2025<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Canada Research Chairs (s\/d). Dispon\u00edvel em\u00a0<a title=\"http:\/\/www.chairs.gc.ca\/web\/chairholders\/viewprofile_e.asp?id=584\" href=\"http:\/\/www.chairs.gc.ca\/web\/chairholders\/viewprofile_e.asp?id=584\">http:\/\/www.chairs.gc.ca\/web\/chairholders\/viewprofile_e.asp?id=584<\/a>[acedido em 15-12-2008]. <a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20080627144418\/http:\/\/www.chairs.gc.ca\/web\/chairholders\/viewprofile_e.asp?id=584\">Liga\u00e7\u00e3o atualizada 12-12-2025<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Downes, Stephen (13-11-2008). The (Lack Of) Wisdom of Crowds. OLDaily:&nbsp;<em>Stephen\u2019s Web<\/em>. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a title=\"http:\/\/www.downes.ca\/cgi-bin\/page.cgi?post=46932&nbsp;\" href=\"http:\/\/www.downes.ca\/cgi-bin\/page.cgi?post=46932%C2%A0\">http:\/\/www.downes.ca\/cgi-bin\/page.cgi?post=46932&nbsp;<\/a>&nbsp;[acedido em 15-12-2008]. <a href=\"https:\/\/www.downes.ca\/cgi-bin\/page.cgi?post=46932\">Liga\u00e7\u00e3o atualizada 12-12-2025<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Downes, Stephen (27-09-2006). Groups vs Networks: The Class Struggle Continues. Comunica\u00e7\u00e3o feita no \u00e2mbito da&nbsp;<em>eFest<\/em>, Wellington, Nova Zel\u00e2ndia. Transcri\u00e7\u00e3o, \u00e1udio e slides dispon\u00edveis em&nbsp;<a title=\"http:\/\/www.downes.ca\/presentation\/53\" href=\"http:\/\/www.downes.ca\/presentation\/53\">http:\/\/www.downes.ca\/presentation\/53<\/a>&nbsp;[acedido em 15-12-2008].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jenkins, Henry (27-11-2006). Collective Intelligence vs. The Wisdom of Crowds.&nbsp;<em>Confessions of an Aca-Fan<\/em>. Dispon\u00edvel online em&nbsp;<a title=\"http:\/\/www.henryjenkins.org\/2006\/11\/collective_intelligence_vs_the.html\" href=\"http:\/\/www.henryjenkins.org\/2006\/11\/collective_intelligence_vs_the.html\">http:\/\/www.henryjenkins.org\/2006\/11\/collective_intelligence_vs_the.html<\/a>[acedido em15-12-2008).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Kottke, Jason (14-07-2004). Wisdom of Crowds, by James Surowiecki.&nbsp;<em>Kottke.org<\/em>. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a title=\"http:\/\/kottke.org\/04\/07\/wisdom-of-crowds\" href=\"http:\/\/kottke.org\/04\/07\/wisdom-of-crowds\">http:\/\/kottke.org\/04\/07\/wisdom-of-crowds<\/a>[acedido em 15-12-2008].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lanier, Jaron (30-05-2006). Digital Maoism: The Hazards of the New Online Collectivism.&nbsp;<em>Edge<\/em>. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.edge.org\/conversation\/jaron_lanier-digital-maoism-the-hazards-of-the-new-online-collectivism\">https:\/\/www.edge.org\/conversation\/jaron_lanier-digital-maoism-the-hazards-of-the-new-online-collectivism<\/a>&nbsp;[acedido em 15-12-2008].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">L\u00e9vy, Pierre (25-08-2003). Entrevista ao JDN (Le Journal du Net). Dispon\u00edvel em&nbsp;<a title=\"http:\/\/www.journaldunet.com\/itws\/it_plevy.shtml\" href=\"http:\/\/www.journaldunet.com\/itws\/it_plevy.shtml\">http:\/\/www.journaldunet.com\/itws\/it_plevy.shtml<\/a>&nbsp;[acedido em 15-12-2008].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">L\u00e9vy, Pierre (17-03-2002). L\u2019intelligence collective et ses objets.&nbsp;<em>samizdat | biblioweb<\/em>. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a title=\"http:\/\/biblioweb.samizdat.net\/article42.html\" href=\"http:\/\/biblioweb.samizdat.net\/article42.html\">http:\/\/biblioweb.samizdat.net\/article42.html<\/a>[acedido em 15-12-2008]. <a href=\"http:\/\/www.t0.or.at\/levy\/plevy.htm\">Liga\u00e7\u00e3o atualizada 12-12-2025<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nantel, Richard (14-11-2008). The (Lack Of) Wisdom of Crowds.&nbsp;<em>Brandon Hall Research: Analyzing Learning<\/em>. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a title=\"http:\/\/brandon-hall.com\/richardnantel\/2008\/11\/12\/the-lack-of-wisdom-of-crowds\/\" href=\"http:\/\/brandon-hall.com\/richardnantel\/2008\/11\/12\/the-lack-of-wisdom-of-crowds\/\">http:\/\/brandon-hall.com\/richardnantel\/2008\/11\/12\/the-lack-of-wisdom-of-c&#8230;<\/a>&nbsp;[acedido em 15-12-2008]. <a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/20101120104720\/http:\/\/brandon-hall.com\/richardnantel\/2008\/11\/12\/the-lack-of-wisdom-of-crowds\/\">Liga\u00e7\u00e3o atualizada 12-12-2025<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rheingold, Howard (02-2008; filmado em 02-2005). [V\u00eddeo]. Way-new collaboration.&nbsp;<em>TED: Ideas worth spreading<\/em>. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ted.com\/talks\/howard_rheingold_the_new_power_of_collaboration\">https:\/\/www.ted.com\/talks\/howard_rheingold_the_new_power_of_collaboration<\/a>[acedido em 15-12-2008]. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sierra, Kathy (02-01-2007). The \u201cDumbness of Crowds\u201d: What gets created?\u201d.&nbsp;<em>Creating Passionate Users<\/em>. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a title=\"http:\/\/headrush.typepad.com\/creating_passionate_users\/2007\/01\/the_dumbness_of.html\" href=\"http:\/\/headrush.typepad.com\/creating_passionate_users\/2007\/01\/the_dumbness_of.html\">http:\/\/headrush.typepad.com\/creating_passionate_users\/2007\/01\/the_dumbne&#8230;<\/a>[acedido em 15-12-2008]. <a href=\"http:\/\/web.archive.org\/web\/20250926034636\/https:\/\/headrush.typepad.com\/creating_passionate_users\/2007\/01\/the_dumbness_of.html\">Liga\u00e7\u00e3o atualizada 12-12-2025<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Snowden, Dave (06-11-2007). Wisdom (?) of Crowds.&nbsp;<em>Cognitive Edge<\/em>. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.cognitive-edge.com\/blogs\/dave\/2007\/11\/wisdom_of_crowds.php\">http:\/\/www.cognitive-edge.com\/blogs\/dave\/2007\/11\/wisdom_of_crowds.php<\/a> [acedido em 15-12-2008]. <a href=\"https:\/\/thecynefin.co\/wisdom-of-crowds\/\">Liga\u00e7\u00e3o atualizada 12-12-2025<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda muito recentemente, Richard Nantel, referindo-se ao conceito de&nbsp;Wisdom of Crowds&nbsp;avan\u00e7ado por Surowiecki na obra com este t\u00edtulo (2004), escrevia que the benefit of collaboration over individual effort has been embraced as dogma. 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