{"id":400,"date":"2018-07-31T15:26:56","date_gmt":"2018-07-31T14:26:56","guid":{"rendered":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/?page_id=400"},"modified":"2026-09-05T18:55:41","modified_gmt":"2026-09-05T17:55:41","slug":"3-1-o-conceito-de-e-learning-2-0","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/parte2\/capitulo3\/3-1-o-conceito-de-e-learning-2-0\/","title":{"rendered":"3.1. O conceito de e-Learning 2.0"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num artigo intitulado&nbsp;<i>e-Learning 2.0<\/i>, publicado em Outubro de 2005 na&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.elearnmag.org\/\">eLearn Magazine<\/a>, Stephen Downes faz um retrato algo desencantado da realidade do e-learning na altura, considerando que \u201cIn general, where we are now in the online world is where we were before the beginning of e-learning\u201d. Segundo o autor, o e-learning tinha-se burocratizado e aproximado, cada vez mais, dos modelos tradicionais de ensino, seja presenciais, seja a dist\u00e2ncia. Mesmo algo t\u00e3o inovador e com elevado potencial como o conceito de&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.reusability.org\/read\/#1\"><em>learning objects<\/em><\/a><em>&nbsp;<\/em>(objectos de aprendizagem) tinha-se tornado a base de um edif\u00edcio que fornecia um ensino fechado, inflex\u00edvel e redutor, encerrado em sistemas de gest\u00e3o da aprendizagem (<i>Learning Management Systems<\/i>) como o&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.blackboard.com\/\">Blackboard&nbsp;<\/a>ou o&nbsp;<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/WebCT\">WebCT<\/a>, que punham todo o controlo do lado das institui\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>Content is organized according to this traditional model and delivered either completely online or in conjunction with more traditional seminars, to cohorts of students, led by an instructor, following a specified curriculum to be completed at a predetermined pace.<\/i>&nbsp;(Downes, 16-10-2005)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Contudo, as mudan\u00e7as em curso na Internet e nas formas como esta era utilizada pelas pessoas, que deram origem \u00e0 designa\u00e7\u00e3o Web 2.0, n\u00e3o poderiam deixar de ter um forte impacto na educa\u00e7\u00e3o e na aprendizagem, fazendo entrever uma transi\u00e7\u00e3o deste cen\u00e1rio cinzento para uma outra forma que, seguindo o movimento e as caracter\u00edsticas dominantes da Web 2.0, daria muito maior autonomia e controlo ao aprendente. \u00c9 a essa intersec\u00e7\u00e3o entre a Web 2.0 e o e-Learning que Downes chama e-Learning 2.0. Na perspectiva deste autor, um dos aspectos mais relevantes nesta mudan\u00e7a prende-se com as formas como os novos utilizadores, que nasceram e cresceram num mundo digital, chamados&nbsp;<em>digital natives<\/em>&nbsp;(Prensky, 2001) ou&nbsp;<i>n-gen<\/i>&nbsp;(<i>net generation<\/i>) (Tapscott, 1998)[1], interagem com a informa\u00e7\u00e3o e encaram a comunica\u00e7\u00e3o e os media:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>They absorb information quickly, in images and video as well as text, from multiple sources simultaneously. They operate at&nbsp;<a href=\"https:\/\/web.archive.org\/web\/20160313145503\/https:\/\/www.games2train.com\/site\/html\/article.html\">&#8220;twitch speed&#8221;<\/a>,&nbsp;expecting instant responses and feedback. They prefer random &#8220;on-demand&#8221; access to media, expect to be in constant communication with their friends (who may be next door or around the world), and they are as likely to create their own media (or download someone else&#8217;s) as to purchase a book or a CD.<\/i>&nbsp;(Downes, 16-10-2005)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em termos concretos da aprendizagem, esta tend\u00eancia manifesta-se por um deslocamento do controlo para os estudantes, em abordagens pedag\u00f3gicas centradas neles e nas suas expectativas, necessidades e caracter\u00edsticas. Esta perspectiva permite-lhes uma autonomia muito maior, por um lado e, por outro, d\u00e1 grande destaque a uma aprendizagem activa, baseada na cria\u00e7\u00e3o, na comunica\u00e7\u00e3o e na participa\u00e7\u00e3o. Estes aspectos, \u00e9 bom de ver, enquadram-se na perfei\u00e7\u00e3o nas mudan\u00e7as registadas na popula\u00e7\u00e3o estudantil e numa cultura que, de certa forma, e em termos gerais, se centra no consumidor\/cliente. Porque afinal, como refere Downes,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>For all this technology, what is important to recognize is that the emergence of the Web 2.0 is not a technological revolution, it is a social revolution.&nbsp;<\/i>(op. cit.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas estas novas realidades, que esbatem, at\u00e9, as distin\u00e7\u00f5es entre professor e estudante, entre quem ensina e quem aprende, trazem tamb\u00e9m a necessidade de novas formas de compreender, descrever e explicar a aprendizagem e os modos como ela se desenvolve. \u00c9 nesse quadro que surge o&nbsp;<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Connectivism_(learning_theory)\">Conectivismo<\/a>, uma teoria da aprendizagem para a era digital proposta por George Siemens (12-12-2004), relativamente \u00e0 qual Downes tem dado contributos t\u00e3o significativos que pode considerar-se hoje, em nossa opini\u00e3o, um dos maiores impulsionadores. Em termos simples, o Conectivismo postula que o conhecimento est\u00e1 distribu\u00eddo numa rede de conex\u00f5es e que, desse modo, a aprendizagem consiste na capacidade de construir essas redes e circular nelas (Downes, 03-02-2007). Crucial para a constru\u00e7\u00e3o deste \u201caprender na rede\u201d de que fala Siemens \u00e9 que existam suportes e conte\u00fados dispon\u00edveis e, neste sentido, a cultura de partilha e de colabora\u00e7\u00e3o de que fal\u00e1mos a prop\u00f3sito da Web2.0, consubstanciada em movimentos como o software gr\u00e1tis&nbsp;<i>open source<\/i>, os conte\u00fados abertos, os recursos educacionais abertos ou as licen\u00e7as&nbsp;<i>Creative Commons<\/i>, \u00e9 um dos grandes alicerces do Conectivismo. \u00c9 neste movimento da aprendizagem online de meio (de suporte\/transmiss\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o pr\u00e9-organizada) para plataforma, do software de aprendizagem online,de ferramenta de consumo de conte\u00fados, em que a aprendizagem \u00e9 \u201cfornecida\u201d, para ferramenta de autoria de conte\u00fados, em que a aprendizagem \u00e9 criada, que nasce uma nova ecologia em que o aprendente est\u00e1 no centro, um embri\u00e3o do que viria, pouco tempo depois, a ser conceptualizado como um ambiente pessoal de aprendizagem (<i>Personal Learning Environment)<\/i><\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\">T<i>he e-learning application (\u2026) represents one node in a web of content, connected to other nodes and content creation services used by other students. It becomes, not an institutional or corporate application, but a personal learning center, where content is reused and remixed according to the student&#8217;s own needs and interests. It becomes, indeed, not a single application, but a collection of interoperating applications\u2014an environment rather than a system.<\/i>&nbsp;(Downes, 16-10-2005)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Num mundo em que os computadores come\u00e7am a ter uma presen\u00e7a massiva, em que surgem sucessivamente novos&nbsp;<i>gadgets<\/i>&nbsp;que alargam a computa\u00e7\u00e3o pessoal e lhe conferem mobilidade, em que as v\u00e1rias redes que habitamos se entrecruzam, vemos esbater-se as fronteiras entre o que aprendemos em contextos formais e em contextos informais, entre a nossa vida pessoal e a profissional, entre sermos estudantes e sermos indiv\u00edduos que aprendem, sempre, ao longo da vida. A aprendizagem torna-se ub\u00edqua, presente em todos os momentos da nossa exist\u00eancia, desde os actos quotidianos mais triviais \u00e0s artes e \u00e0 cultura. Viver e aprender tender\u00e3o, inevitavelmente, a fundir-se (Downes, op. cit.), ou, na formula\u00e7\u00e3o de Ulises Mejias (2005), que nos parece bastante feliz, viveremos num estado de \u201cLearning as (endless) becoming\u201d. \u00c9 a partir das funda\u00e7\u00f5es que, neste artigo, Downes estabelece para o e-Learning 2.0, que iremos desenvolver a segunda parte da nossa disserta\u00e7\u00e3o, abordando em maior detalhe aqueles aspectos que, em nosso entender, se revestem de maior import\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Notas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">[1]&nbsp;A primeira designa\u00e7\u00e3o foi avan\u00e7ada por Marc Prensky em 2001, no artigo intitulado&nbsp;<i>Digital Natives, Digital Immigrants<\/i>;&nbsp;a segunda por Don Tapscott, no seu livro&nbsp;<i>Growing up Digital: The Rise of the Net Generation<\/i>, de 1998.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Downes, Stephen (03-02-2007). What Connectivism Is.&nbsp;<em>Half an Hour<\/em>. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a title=\"http:\/\/halfanhour.blogspot.com\/2007\/02\/what-connectivism-is.html\" href=\"http:\/\/halfanhour.blogspot.com\/2007\/02\/what-connectivism-is.html\">http:\/\/halfanhour.blogspot.com\/2007\/02\/what-connectivism-is.html<\/a>&nbsp;[acedido em 15-12-2008].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Downes, Stephen (16-10-2005). e-Learning 2.0.&nbsp;<em>eLearn Magazine<\/em>. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a href=\"http:\/\/elearnmag.acm.org\/featured.cfm?aid=1104968\">http:\/\/elearnmag.acm.org\/featured.cfm?aid=1104968<\/a>&nbsp;[acedido em 15-12-2008]. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Prensky, Marc (10-2001). Digital natives, digital immigrants.\u00a0<em>On the Horizon<\/em>, 9(5). Dispon\u00edvel em\u00a0\u00a0<a title=\"http:\/\/www.marcprensky.com\/writing\/Prensky%20-%20Digital%20Natives,%20Digital%20Immigrants%20-%20Part1.pdf\" href=\"http:\/\/www.marcprensky.com\/writing\/Prensky%20-%20Digital%20Natives,%20Digital%20Immigrants%20-%20Part1.pdf\">http:\/\/www.marcprensky.com\/writing\/Prensky%20-%20Digital%20Natives,%20Di&#8230;<\/a>\u00a0[acedido em 15-12-2008]. <a href=\"https:\/\/cosc-480-ucd-f16.github.io\/COSC-480-UCD\/files\/Prensky2001-DigitalNativesDigitalImmigrants.pdf\">Liga\u00e7\u00e3o atualizada 12-12-2025<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Siemens, George (12-12-2004). Connectivism: A Learning Theory for the Digital Age.&nbsp;<em>International Journal of Instructional Technology and Distance Learning,<\/em>&nbsp;2(1). Dispon\u00edvel em&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.itdl.org\/Journal\/Jan_05\/article01.htm\">https:\/\/www.itdl.org\/Journal\/Jan_05\/article01.htm<\/a>&nbsp;[acedido em 15-12-2008]. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tapscott, Don (1998).&nbsp;<em>Growing Up Digital. The Rise of the Net Generation<\/em>. New York: McGraw Hill. Excertos e material relacionado dispon\u00edveis em&nbsp;<a title=\"http:\/\/www.growingupdigital.com\/index.html\" href=\"http:\/\/www.growingupdigital.com\/index.html\">http:\/\/www.growingupdigital.com\/index.html<\/a>&nbsp;[acedido a 15-12-2008]. <a href=\"https:\/\/www.growingupdigital.com\/archive\/\">Liga\u00e7\u00e3o atualizada 12-12-2025<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Num artigo intitulado&nbsp;e-Learning 2.0, publicado em Outubro de 2005 na&nbsp;eLearn Magazine, Stephen Downes faz um retrato algo desencantado da realidade do e-learning na altura, considerando que \u201cIn general, where we are now in the online world is where we were before the beginning of e-learning\u201d. 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