{"id":406,"date":"2018-07-31T15:35:16","date_gmt":"2018-07-31T14:35:16","guid":{"rendered":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/?page_id=406"},"modified":"2025-12-12T22:12:51","modified_gmt":"2025-12-12T21:12:51","slug":"3-2-a-aprendizagem-colaborativa","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/parte2\/capitulo3\/3-2-a-aprendizagem-colaborativa\/","title":{"rendered":"3.2. A Aprendizagem Colaborativa"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como vimos anteriormente, a partilha e a colabora\u00e7\u00e3o s\u00e3o elementos muito relevantes, quer nos refiramos ao conceito de Web2.0, quer ao de e-Learning 2.0. Mas importa olhar com mais pormenor como tem sido perspectivada a colabora\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da aprendizagem formal online e, tamb\u00e9m, os modos como se alarga e operacionaliza naquilo a que estamos a designar como e-Learning 2.0.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sendo a aprendizagem colaborativa algo de que tanto se fala e que tanto se valoriza, seria de supor que existisse um largo consenso em termos da investiga\u00e7\u00e3o quanto \u00e0 sua defini\u00e7\u00e3o. E, no entanto, n\u00e3o \u00e9 isso que se verifica. Pierre Dillenbourg, um dos te\u00f3ricos mais relevantes nesta \u00e1rea, d\u00e1-nos conta, no cap\u00edtulo introdut\u00f3rio da obra&nbsp;<i>Collaborative Learning: Cognitive and Computational Approaches<\/i>&nbsp;(1999), significativamente intitulado&nbsp;<i>What Do You Mean By \u201cCollaborative Learning<\/i>\u201d, de como a s\u00e9rie de workshops que deu origem ao livro, e que reuniu 20 acad\u00e9micos das \u00e1reas da Psicologia, da Educa\u00e7\u00e3o e das Ci\u00eancias Computacionais, nem sequer tentou chegar a um consenso quanto ao primeiro aspecto. Diz este autor:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>The reader will not be surprised to learn that our group did not agree on any definition of collaborative learning. We did not even try. There is such a wide variety of uses of this term inside each academic field and, a fortiori, across the fields (&#8230;) Instead, we shared a broad interest in multidisciplinary interactions, which was reified in this book.<\/i>&nbsp;(Dillenbourg, 1999: 1)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, a proposta funcional que Dillenbourg avan\u00e7a \u00e9 a de uma defini\u00e7\u00e3o bastante ampla do que ser\u00e1 a aprendizagem colaborativa &#8211; uma situa\u00e7\u00e3o em que duas ou mais pessoas aprendem ou tentam aprender algo em conjunto \u2013 de forma a abranger as v\u00e1rias abordagens poss\u00edveis. Karen Littleton &amp; P\u00e4ivi H\u00e4kkinnen (1999) referem, por seu lado, que existe consenso entre os investigadores quanto ao facto de a colabora\u00e7\u00e3o envolver a constru\u00e7\u00e3o de significado atrav\u00e9s da interac\u00e7\u00e3o com os outros, caracterizando-se pelo empenho conjunto relativamente a um objectivo comum. Roxanne Hiltz (1998), por seu turno, op\u00f5e \u00e0s abordagens passivas da aprendizagem, em que o sujeito aprende atrav\u00e9s da recep\u00e7\u00e3o e assimila\u00e7\u00e3o do conhecimento, de forma individual e independentemente dos outros, as abordagens activas, em que a aprendizagem \u00e9 vista como um processo social que se desenvolve atrav\u00e9s da comunica\u00e7\u00e3o com os outros, sendo o conhecimento constru\u00eddo a partir do confronto com as reac\u00e7\u00f5es e as respostas dos outros. Neste sentido, a aprendizagem seria n\u00e3o s\u00f3 activa mas, tamb\u00e9m, interactiva, assentando largamento no di\u00e1logo, no confronto de ideias e no feedback dos outros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto aos m\u00e9ritos do trabalho colaborativo para a aprendizagem, embora alguns autores considerem n\u00e3o existir dados de investiga\u00e7\u00e3o que comprovem, de forma indubit\u00e1vel, as vantagens de trabalhar de forma colaborativa em pequenos grupos (Schwartz, 1999), ou que os estudantes aprendam atrav\u00e9s da discuss\u00e3o (Laurillard, 2002), h\u00e1 muitas evid\u00eancias de que essas vantagens s\u00e3o inquestion\u00e1veis. De acordo com Hiltz (1998), existem estudos que demonstram que as estrat\u00e9gias colaborativas de aprendizagem aumentam o envolvimento dos estudantes no curso&nbsp;e um maior empenho no processo de aprendizagem, e que os m\u00e9todos colaborativos s\u00e3o mais efectivos do que os m\u00e9todos tradicionais na promo\u00e7\u00e3o da aprendizagem e do sucesso dos estudantes (Johnson, 1981, referido por Hiltz, 1998). Johnson &amp; Johnson (2004, referidos por Mason &amp; Rennie, 2008) analisaram a hist\u00f3ria da aprendizagem colaborativa e cooperativa e consideram que o ensino online revitalizou as pr\u00e1ticas relativas a estas abordagens. Estes autores citam um conjunto de estudos que demonstram que a aprendizagem colaborativa online produz melhores resultados do que a aprendizagem solit\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, parece existir uma cren\u00e7a generalizada entre professores, estudantes e investigadores, de que o trabalho colaborativo \u00e9 um aspecto essencial dos processos de aquisi\u00e7\u00e3o do conhecimento e que o di\u00e1logo e a interac\u00e7\u00e3o s\u00e3o fundamentais para a aprendizagem. Esta cren\u00e7a funda-se, certamente, na concep\u00e7\u00e3o actual dominante relativamente \u00e0 aprendizagem, onde confluem duas correntes te\u00f3ricas: por um lado, as&nbsp;<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Constructivism_(learning_theory)\">perspectivas de raiz construtivista<\/a>, que se inspiram em Piaget e Bruner, entre outros autores, e as de&nbsp;<a href=\"http:\/\/gsi.berkeley.edu\/resources\/learning\/social.html\">raiz interpessoal e sociocultural<\/a>, inspiradas no trabalho de Vygotsty e seguidores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dillenbourg, Pierre (1999). Introduction: What Do You Mean By \u00abCollaborative Learning\u00bb?. In Pierre Dillenbourg (Ed.),&nbsp;<em>Collaborative Learning: Cognitive and Computational Approaches<\/em>. Amsterdam: Pergamon.&nbsp; Dispon\u00edvel em&nbsp;<a title=\"http:\/\/tecfa.unige.ch\/tecfa\/publicat\/dil-papers-2\/Dil.7.1.14.pdf\" href=\"http:\/\/tecfa.unige.ch\/tecfa\/publicat\/dil-papers-2\/Dil.7.1.14.pdf\">http:\/\/tecfa.unige.ch\/tecfa\/publicat\/dil-papers-2\/Dil.7.1.14.pdf<\/a>&nbsp;[acedido em 15-12-2008].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hiltz, Roxanne (1998). Collaborative Learning in Asynchronous Learning Networks: Building Learning Communities. Comunica\u00e7\u00e3o convidada apresentada na&nbsp;<em>WEB98<\/em>, Orlando, Florida, Novembro. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a title=\"http:\/\/web.njit.edu\/~hiltz\/collaborative_learning_in_asynch.htm\" href=\"http:\/\/web.njit.edu\/~hiltz\/collaborative_learning_in_asynch.htm\">http:\/\/web.njit.edu\/~hiltz\/collaborative_learning_in_asynch.htm<\/a>&nbsp;[acedido em 15-12-2008].<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Laurillard, Diana (2002).&nbsp;<em>Rethinking University Teaching<\/em>&nbsp;(2\u00aa edi\u00e7\u00e3o). London and New York: Routledge\/Falmer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Littleton, Karen &amp; H\u00e4kkinnen, P\u00e4ivi (1999). Learning Together: Understanding the Processes of Computer-Based Collaborative Learning. In Pierre Dillenbourg (Ed.),&nbsp;<em>Collaborative Learning: Cognitive and Computational Approaches<\/em>. Amsterdam: Pergamon.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mason, Robin &amp; Rennie, Frank (2008).&nbsp;<em>E-Learning and Social Networking Handbook<\/em>. New York: Routledge.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Schwarz, Daniel (1999). The Productive Agency That Drives Collaborative Learning. In Pierre Dillenbourg (Ed.),&nbsp;<em>Collaborative Learning: Cognitive and Computational Approaches<\/em>. Amsterdam: Pergamon. Dispon\u00edvel em&nbsp;<a href=\"http:\/\/wexler.free.fr\/library\/files\/schwartz%20(2002)%20productive%20agency.pdf\">http:\/\/wexler.free.fr\/library\/files\/schwartz%20(2002)%20productive%20agency.pdf<\/a>&nbsp;[acedido em 15-12-2008].<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como vimos anteriormente, a partilha e a colabora\u00e7\u00e3o s\u00e3o elementos muito relevantes, quer nos refiramos ao conceito de Web2.0, quer ao de e-Learning 2.0. 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