{"id":422,"date":"2018-07-31T15:57:31","date_gmt":"2018-07-31T14:57:31","guid":{"rendered":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/?page_id=422"},"modified":"2025-12-12T22:01:29","modified_gmt":"2025-12-12T21:01:29","slug":"3-2-2-a-importancia-da-comunidade-de-aprendizagem","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/parte2\/capitulo3\/3-2-a-aprendizagem-colaborativa\/3-2-2-a-importancia-da-comunidade-de-aprendizagem\/","title":{"rendered":"3.2.2. A import\u00e2ncia da comunidade de aprendizagem"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O factor fundamental que manteve o ensino a dist\u00e2ncia, durante d\u00e9cadas, numa situa\u00e7\u00e3o de relativa menoridade face ao ensino presencial passava, precisamente, pela percep\u00e7\u00e3o de que a aus\u00eancia de um grupo e a consequente inexist\u00eancia de um contexto de aprendizagem levariam, inevitavelmente, a uma aprendizagem de qualidade inferior. Nessa perspectiva, concorde-se ou n\u00e3o com os fundamentos e a validade dessa percep\u00e7\u00e3o, o ensino a dist\u00e2ncia era visto como uma alternativa secund\u00e1ria de forma\u00e7\u00e3o, destinado aos que, por raz\u00f5es v\u00e1rias, n\u00e3o podiam frequentar o ensino presencial (o ensino \u201ca s\u00e9rio\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ora, o facto de o ensino online poder contar com um grupo de aprendizagem, suportado pelas capacidades de comunica\u00e7\u00e3o oferecidas pelas tecnologias actuais, permitiu-lhe, finalmente, constituir-se como alternativa cred\u00edvel face ao ensino presencial, oferecendo as suas pr\u00f3prias vantagens e benef\u00edcios no quadro de uma forma\u00e7\u00e3o cuja diferen\u00e7a n\u00e3o \u00e9 percepcionada j\u00e1 em termos de constrangimentos ou grau de qualidade mas sim de oportunidades e prefer\u00eancias pessoais. Ser\u00e1, talvez, exagerado afirmar que o ensino online atingiu j\u00e1 um grau de paridade total com o ensino presencial, no que toca \u00e0 percep\u00e7\u00e3o que alguns sectores da sociedade t\u00eam da sua qualidade relativa face ao ensino presencial. Contudo, o crescimento acelerado da Internet e do fen\u00f3meno da globaliza\u00e7\u00e3o, ao inundar de tecnologia e de comunica\u00e7\u00e3o a experi\u00eancia quotidiana dos indiv\u00edduos, est\u00e3o a contribuir para que esse momento esteja muito pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo aceitando que muitas das experi\u00eancias designadas de e-learning, baseadas na perspectiva do estudo aut\u00f3nomo, independente e auto-regulado, possam justificar-se, tendo em contas circunst\u00e2ncias espec\u00edficas (como referimos acima), parece ineg\u00e1vel que uma perspectiva assente na colabora\u00e7\u00e3o e na interac\u00e7\u00e3o, desenvolvidas no seio de uma&nbsp;<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Group_learning\">comunidade de aprendizagem<\/a>, oferece grandes vantagens em termos da qualidade e do alcance potencial das aprendizagens, por um lado, e \u00e9 mais consent\u00e2nea com o&nbsp;<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Zeitgeist\"><i>Zeitgeist<\/i><\/a>&nbsp;de uma era que se designou, primeiro, da Informa\u00e7\u00e3o e, posteriormente, do Conhecimento, com base na circula\u00e7\u00e3o de uma e outro atrav\u00e9s das redes e meios de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Schlais &amp; Davis (2002), apoiando-se nos trabalhos de Flannery &amp; Gerlach, afirmam que a aprendizagem colaborativa \u00e9 um processo natural de interac\u00e7\u00e3o social e de comunica\u00e7\u00e3o, para adiantarem que este tipo de interac\u00e7\u00e3o social, de aprendizagem e de tomada de decis\u00f5es s\u00e3o exigidos no actual mercado de trabalho&nbsp;cruciais para as empresas na economia global:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>To function effectively, companies must develop skills in communicating and collaborating across distances, many times without face-to-face interaction.&nbsp;<\/i>(Rockett et al., 1998, citados por Schlais &amp; Davis, 2002: 116)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Temos, assim, que a emerg\u00eancia do grupo de aprendizagem no EaD despoletou, tamb\u00e9m, a necessidade de encontrar respostas pedag\u00f3gicas e did\u00e1cticas adequadas n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 nova realidade desta modalidade de ensino mas, tamb\u00e9m, \u00e0s necessidades de forma\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos numa sociedade em profunda transforma\u00e7\u00e3o, ou seja, motivou tomadas de decis\u00e3o que s\u00e3o, simultaneamente, pedag\u00f3gicas e estrat\u00e9gicas. E, curiosamente, foi pela porta aberta por esta necessidade e pelas potencialidades de comunica\u00e7\u00e3o disponibilizadas pelos novos meios que as teorias da aprendizagem actualmente dominantes, de raiz construtivista e sociocultural, deram entrada no ensino a dist\u00e2ncia e levaram, depois, a uma discuss\u00e3o das pr\u00e1ticas e das metodologias do pr\u00f3prio ensino superior presencial (Garrison &amp; Anderson, 2003).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Terry Anderson &amp; Heather Kanuka (1998, referidos por Stacey, 1999), a teoria socioconstrutivista constitui a abordagem epistemol\u00f3gica mais aceite em rela\u00e7\u00e3o ao ensino online. Autores j\u00e1 referidos, como Harasim, Hiltz, Garrison ou Mason &amp; Kaye v\u00eaem na&nbsp;<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Computer-mediated_communication\">comunica\u00e7\u00e3o mediada por computador<\/a>&nbsp;(CMC) o potencial para a cria\u00e7\u00e3o de uma comunidade de aprendizagem que promova o di\u00e1logo, o debate, o pensamento colectivo, o trabalho em equipa e a interac\u00e7\u00e3o colaborativa, proporcionando ganhos a n\u00edvel social, afectivo e cognitivo e favorecendo a constru\u00e7\u00e3o partilhada do conhecimento. Dada a aus\u00eancia de press\u00e3o social e a maior liberdade para exprimir os seus pontos de vista no contexto da CMC, os grupos evidenciam maiores n\u00edveis de interac\u00e7\u00e3o do que nos contextos presenciais, e os participantes reagem sobretudo ao conte\u00fado das mensagens e n\u00e3o ao autor, o que permite uma comunica\u00e7\u00e3o mais reflexiva e efectiva (Henri &amp; Rigault 1996, referidos por Stacey, 1999; Palloff &amp; Pratt, 1999; 2005).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Rena Palloff &amp; Keith Pratt n\u00e3o t\u00eam quaisquer d\u00favidas quanto ao papel fundamental que a comunidade de aprendizagem desempenha no ensino online. Dizem estes autores:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>In distance education, attention needs to be paid to the developing sense of community within the group of participants in order for the learning process to be successful. The learning community is the vehicle through which learning occurs online. Members depend on each other to achieve the learning outcomes of the course (&#8230;) Without the support and participation of a learning community, there is no online course.&nbsp;<\/i>(1999:&nbsp;29)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A verdade, contudo, \u00e9 que n\u00e3o basta ter um grupo e um contexto que possibilite a comunica\u00e7\u00e3o para que exista uma comunidade de aprendizagem e se desenvolva o trabalho colaborativo, nem o facto de existir colabora\u00e7\u00e3o entre os estudantes garante que a aprendizagem se processe de modo adequado e pertinente (Palloff &amp; Pratt, 1999; 2005; Mason, 2002; 2003; Laurillard, 2002). \u00c9 necess\u00e1rio garantir, por um lado, que o ambiente de aprendizagem \u00e9 prop\u00edcio \u00e0 interac\u00e7\u00e3o, \u00e0 colabora\u00e7\u00e3o e \u00e0 partilha entre os participantes, professor inclu\u00eddo e, por outro, que os estudantes constroem um conhecimento correcto e relevante das mat\u00e9rias em estudo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Relativamente ao primeiro aspecto, Palloff &amp; Pratt referem a necessidade de facilitar o relacionamento entre os estudantes e de estabelecer regras consensualizadas sobre a participa\u00e7\u00e3o, assumindo o professor uma postura flex\u00edvel e que permita acomodar aquilo a que chamam \u201cthe personal agendas of the learners\u201d (1999: 29). Outro aspecto importante prende-se com a cria\u00e7\u00e3o e manuten\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o de car\u00e1cter social, onde os estudantes possam interagir a um n\u00edvel mais pessoal e independente dos materiais e discuss\u00f5es relativos aos conte\u00fados do curso. Para estes autores (op. cit.), a capacidade para colaborar e para construir significado e conhecimento de forma partilhada \u00e9 um indicador claro de que se constituiu, de facto, uma comunidade virtual de aprendizagem, e exprime-se nas seguintes formas:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Interac\u00e7\u00e3o activa, envolvendo quer os conte\u00fados do curso, quer comunica\u00e7\u00e3o a n\u00edvel mais pessoal;<\/li>\n\n\n\n<li>Aprendizagem colaborativa, evidenciada por coment\u00e1rios dos estudantes dirigidos sobretudo a outros estudantes, e n\u00e3o ao professor;<\/li>\n\n\n\n<li>Conhecimento socialmente constru\u00eddo, evidenciado pela concord\u00e2ncia ou o questionamento com a inten\u00e7\u00e3o de alcan\u00e7ar um acordo relativo ao significado;<\/li>\n\n\n\n<li>Partilha de recursos entre os estudantes;<\/li>\n\n\n\n<li>Express\u00e3o de apoio e encorajamento entre os estudantes, bem como a disponibilidade para avaliar criticamente o trabalho dos outros.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Relativamente ao segundo aspecto \u2013 evitar a constru\u00e7\u00e3o de uma comunidade com fortes la\u00e7os sociais mas em que se processa pouca aprendizagem \u2013 os autores enfatizam a necessidade de o professor se manter activamente empenhado no processo, por forma a orientar os estudantes na direc\u00e7\u00e3o correcta e recentrar o enfoque nos objectivos de aprendizagem que constitu\u00edram, afinal, o ponto de partida da comunidade:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>It is the development of a strong learning community and not just a social community that is the distinguishing feature of computer-mediated distance learning.&nbsp;<\/i>(op. cit.: 32)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m para Diana Laurillard (2002), a interac\u00e7\u00e3o com um tutor ou a produ\u00e7\u00e3o de reflex\u00f5es (s\u00ednteses, resumos, ensaios, etc.) que permitam monitorizar os progressos realizados s\u00e3o aspectos fundamentais no controlo da qualidade da aprendizagem resultante da colabora\u00e7\u00e3o e da interac\u00e7\u00e3o entre os estudantes. Segundo esta autora, v\u00e1rios estudos demonstram que nem sempre estas interac\u00e7\u00f5es estudante-estudante resultam bem em termos da aprendizagem, e identificam duas causas maiores para o insucesso: a aus\u00eancia de feedback por parte do professor e a aus\u00eancia de reflex\u00e3o, por parte dos estudantes relativamente ao ciclo objectivo \u2013 ac\u00e7\u00e3o \u2013 feedback.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Garrison, Randy &amp; Anderson, Terry (2003).&nbsp;<i>eLearning in the 21st Century: A Framework for Research and Practice<\/i>. London &amp; New York: RoutledgeFalmer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Laurillard, Diana (2002).&nbsp;<i>Rethinking University Teaching<\/i>&nbsp;(2\u00aa edi\u00e7\u00e3o). London and New York: Routledge\/Falmer.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mason, Robin (2003). Models and Methodologies in Distance Education.&nbsp;<i>Discursos<\/i>: S\u00e9rie Perspectivas em Educa\u00e7\u00e3o, 1, 90-105.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mason, Robin (2002). Effective facilitation of online learning: the Open University experience. In John Stephenson (Ed.),&nbsp;<i>Teaching and Learning Online: Pedagogies for New Technologies<\/i>. London: Kogan Page.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pallof,&nbsp;Rena &amp; Pratt, Keith (2005).&nbsp;<i>Collaborative online learning together in community<\/i>. San Francisco: Jossey-Bass.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Palloff, Rena &amp; Pratt, Keith (1999).&nbsp;<i>Building Learning Communities in Cyberspace: Effective Strategies For The Online Classroom<\/i>. San Francisco: Jossey-Bass Publishers.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Schlais, Dennis &amp; Davis, Richard (2002). Distance Learning Through Educational Networks. In John Stephenson (Ed.),&nbsp;<i>Teaching and Learning Online: Pedagogies for New Technologies<\/i>. London: Kogan Page.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O factor fundamental que manteve o ensino a dist\u00e2ncia, durante d\u00e9cadas, numa situa\u00e7\u00e3o de relativa menoridade face ao ensino presencial passava, precisamente, pela percep\u00e7\u00e3o de que a aus\u00eancia de um grupo e a consequente inexist\u00eancia de um contexto de aprendizagem levariam, inevitavelmente, a uma aprendizagem de qualidade inferior. 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