{"id":462,"date":"2018-07-31T22:10:14","date_gmt":"2018-07-31T21:10:14","guid":{"rendered":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/?page_id=462"},"modified":"2026-09-05T13:10:23","modified_gmt":"2026-09-05T12:10:23","slug":"4-3-o-modelo-da-educacao-rizomatica","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/josemota.pt\/aprendernarede\/parte2\/capitulo4\/4-3-o-modelo-da-educacao-rizomatica\/","title":{"rendered":"4.3. O Modelo da Educa\u00e7\u00e3o Rizom\u00e1tica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o Conectivismo est\u00e1 ainda a tentar consolidar os seus pressupostos e a afirmar a sua autonomia (ou a bondade da sua exist\u00eancia), j\u00e1 novas perspectivas emergem com abordagens ainda mais radicais na conceptualiza\u00e7\u00e3o do conhecimento e da aprendizagem. No seu artigo <i>Rhizomatic education: Community as curriculum<\/i>, Dave Cormier (07-2008) vai ainda um pouco mais longe na forma como v\u00ea a instabilidade e a fragilidade da no\u00e7\u00e3o actual de conhecimento. Segundo este autor (op. cit.), a natureza crescentemente transit\u00f3ria daquilo que \u00e9 considerado actual ou correcto em \u00e1reas novas ou em desenvolvimento, assim como o ritmo intenso das mudan\u00e7as na cultura ocidental, numa perspectiva mais global, tornaram dif\u00edcil \u00e0 sociedade, em geral, e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, em particular, definir o que constitui conhecimento. No caso dos conceitos baseados na Web (<i>Web-based concepts<\/i>), por exemplo, o tipo de concep\u00e7\u00e3o fluida e transit\u00f3ria do conhecimento que \u00e9 necess\u00e1rio para compreender mesmo o mais simples de entre eles faz com que o modelo educativo existente, com o seu planeamento pedag\u00f3gico e o seu ciclo de publica\u00e7\u00e3o centrados em especialistas, se revele demasiado est\u00e1tico e prescritivo para responder adequadamente ao que \u00e9 preciso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A falta de uma medida v\u00e1lida e fi\u00e1vel para o que \u201c\u00e9 verdade\u201d ou \u201cest\u00e1 correcto\u201d torna a identifica\u00e7\u00e3o de elementos chave de conhecimento nestas \u00e1reas uma tarefa bastante prec\u00e1ria:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>In less-traditional curricular domains then, knowledge creators are not accurately epitomized as traditional, formal, verified experts; rather, knowledge in these areas is created by a broad collection of knowers sharing in the construction and ongoing evolution of a given field. <\/i><i>Knowledge becomes a negotiation. <\/i>(Farrell, 2001; citado por Cormier, 07-2008).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cormier (op. cit.) n\u00e3o considera estarmos aqui perante um conceito completamente novo em educa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que, segundo ele, quer a pedagogia socioconstrutivista, quer a pedagogia conectivista, por exemplo, entendem a aprendizagem como um processo de negocia\u00e7\u00e3o do conhecimento (no que se refere ao conectivismo, e tendo em conta o que apresent\u00e1mos atr\u00e1s, n\u00e3o nos parece uma asser\u00e7\u00e3o totalmente correcta, se interpretamos bem o significado do que diz Cormier). Contudo, nenhuma destas teorias consegue representar de forma completa, em sua opini\u00e3o, a natureza da aprendizagem no mundo online. Ambas as teorias partem do pressuposto que o processo de aprendizagem deve desenvolver-se de forma org\u00e2nica, mas que o conhecimento, ou o que deve ser aprendido, \u00e9 ainda algo verific\u00e1vel de modo independente, com um in\u00edcio e um objectivo final determinados pelo curr\u00edculo (mais uma vez, Cormier parece-nos interpretar mal o que o conectivismo defende a este respeito).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tentando encontrar uma met\u00e1fora que ofere\u00e7a uma concep\u00e7\u00e3o mais flex\u00edvel do conhecimento na era da informa\u00e7\u00e3o, Cormier (op. cit.) socorre-se da no\u00e7\u00e3o de <i>rizoma<\/i>, tal como teorizada por Deleuze &amp; Guattari na sua obra de 1980, <i>Mille Plateaux<\/i>. Na descri\u00e7\u00e3o de Cormier,<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>A rhizomatic plant has no center and no defined boundary; rather, it is made up of a number of semi-independent nodes, each of which is capable of growing and spreading on its own, bounded only by the limits of its habitat<\/i>. (op. cit.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na perspectiva rizom\u00e1tica, o conhecimento apenas pode ser negociado e a experi\u00eancia contextual e colaborativa de aprendizagem, partilhada pelas pedagogias construtivista e conectivista, constitui um processo de cria\u00e7\u00e3o de conhecimento simultaneamente social e pessoal, com objectivos mut\u00e1veis e premissas constantemente negociadas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esta met\u00e1fora do rizoma representa, para Cormier (op. cit.), um enorme avan\u00e7o para lidar com o desaparecimento dos c\u00e2nones relativamente aos quais se podia comparar, julgar e valorar o conhecimento, e pode revelar-se particularmente apta para aquelas \u00e1reas de ponta em que o c\u00e2none \u00e9 fluido e o conhecimento um alvo em constante deslocamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo nos contextos mais formais ou mais estruturados de aprendizagem, a constru\u00e7\u00e3o colaborativa do conhecimento come\u00e7a a ter lugar, atrav\u00e9s das pr\u00e1ticas de aprendizagem social, muito potenciada pela Internet, que permitem uma descoberta do conhecimento mais discursiva e <i>rizom\u00e1tica<\/i>. Nesta abordagem, os indiv\u00edduos trabalham em grupos para explorar um c\u00e2none estabelecido mas, tamb\u00e9m, para negociar aquilo que pode constituir conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma consequ\u00eancia que parece \u00f3bvia, segundo Comier (op. cit.), \u00e9 que, sendo o conhecimento negociado socialmente, a ideia de propriedade intelectual individual deve ser revista e renegociada no sentido de reflectir o processo de aquisi\u00e7\u00e3o e o produto resultante desse processo. Faz falta um modelo que contemple a aquisi\u00e7\u00e3o do conhecimento negociado e socialmente constru\u00eddo, em que a comunidade n\u00e3o \u00e9 o caminho para a compreens\u00e3o ou o acesso ao curr\u00edculo mas \u00e9, ela pr\u00f3pria, o curr\u00edculo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que \u00e9, ent\u00e3o, o Modelo Rizom\u00e1tico de Educa\u00e7\u00e3o (<i>Rhizomatic Model of Education<\/i>) que Cormier (op. cit.) prop\u00f5e?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Neste modelo, o curr\u00edculo n\u00e3o \u00e9 orientado por contribui\u00e7\u00f5es predefinidas de especialistas, mas antes constru\u00eddo e negociado em tempo real pelas contribui\u00e7\u00f5es dos envolvidos no processo de aprendizagem. Esta comunidade funciona como curr\u00edculo, \u201cspontaneously shaping, constructing, and reconstructing itself and the subject of its learning\u201d (Cormier, 07-2008).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que isto permite \u00e9 que uma determinada comunidade elabore um modelo de educa\u00e7\u00e3o compat\u00edvel, pela sua flexibilidade, com a forma como o conhecimento se desenvolve e transforma actualmente, atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o de um mapa de conhecimento contextual. O curr\u00edculo vivo de uma comunidade activa \u00e9 um mapa sempre destac\u00e1vel, conect\u00e1vel, revers\u00edvel e modific\u00e1vel, com m\u00faltiplas entradas e sa\u00eddas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O modelo rizom\u00e1tico dispensa a necessidade de uma valida\u00e7\u00e3o externa do conhecimento, seja por um especialista, seja por um curr\u00edculo constru\u00eddo; uma negocia\u00e7\u00e3o distribu\u00edda do conhecimento permite a uma comunidade legitimar, ela pr\u00f3pria, o trabalho desenvolvido:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"rteindent2 wp-block-paragraph\"><i>If a given bit of information is recognized as useful to the community or proves itself able to do something, it can be counted as knowledge. The community, then, has the power to create knowledge within a given context and leave that knowledge as a new node connected to the rest of the network.<\/i> (Cormier, op. cit.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Cormier (op. cit.), esta \u00e9 a nova realidade. Os que buscam o conhecimento em \u00e1reas de ponta cada vez mais se apercebem de que a correcta avalia\u00e7\u00e3o de novos desenvolvimentos se atinge de forma mais efectiva atrav\u00e9s da experi\u00eancia negociada e participat\u00f3ria numa comunidade rizom\u00e1tica. Os educadores podem, mediante o seu envolvimento em m\u00faltiplas comunidades em que nova informa\u00e7\u00e3o esteja a ser testada e assimilada, come\u00e7ar a apreender o alvo em movimento que \u00e9 o conhecimento no ambiente moderno de aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/h3>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cormier, Dave (07-2008). Rhizomatic education: Community as curriculum. <i>Innovate<\/i> 4 (5), Junho\/Julho de 2008. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/www.innovateonline.info\/index.php?view=article&amp;id=550\">http:\/\/www.innovateonline.info\/index.php?view=article&amp;id=550<\/a> [acedido em 15-12-2008]. <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/234577448_Rhizomatic_Education_Community_as_Curriculum\">Liga\u00e7\u00e3o atualizada 07-09-2026<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se o Conectivismo est\u00e1 ainda a tentar consolidar os seus pressupostos e a afirmar a sua autonomia (ou a bondade da sua exist\u00eancia), j\u00e1 novas perspectivas emergem com abordagens ainda mais radicais na conceptualiza\u00e7\u00e3o do conhecimento e da aprendizagem. 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