AAO – Paula Pinheiro, sobre os Portfólios

olá Nelson e restantes colegas sorriso

de facto considero o portfólio uma ferramenta e uma estratégia de aprendizagem com a brilhante vantagem de permitir ao estudante a auto-avaliação sistemática dos processos e produtos (referindo-se isto também ao portfólio em si) e viabilizar ao professor e aos demais “observadores” um conjunto de elementos preciosíssimos sobre o trabalho do estudante, os processos que segue/seguiu, as reflexões que desenvolveu, as correcções que introduziu…. e por aí piscar

uso o portfólio em contexto presencial desde que comecei a leccionar (quase há duas décadas e meia… l�ngua de fora dito assim tem muito mais impacto do que se dissesse há quase 25 anos, meu filho grande sorrisogrande sorriso) e também fui solicitada a elaborar portfólios, enquanto estudante, quer no 3º ciclo unificado (entre 75-76 e 77-78), quer no ensino secundário e, com muito mais frequência no ensino superior (onde, aliás, o portfólio era ponto de honra da estrutura de aprendizagem e de avaliação na quase generalidade das cadeiras… quer práticas, quer teóricas ou teórico-práticas)… muitos dos colegas com quem tenho trabalhado, na minha área de leccionação, usam também o portfólio como estratégia e em moldes diversos, embora contemplando estes requisitos com maior ou menor profundidade (dependendo até do nível etário dos estudantes ou do grau de relevância da disciplina no contexto global do currículo dos alunos naquele ano de escolaridade)

um portfólio não pode ser um conjunto de trabalhos reunidos numa pasta (como, confesso, muitas vezes já vi fazer)    ele deve ser o reflexo dos trabalhos, dos processos, das reflexões… tal como deve indiciar a atitude crítica do seu autor face aos produtos que ali integra… qualquer portfólio digno desse nome deve ser tudo isto, razão pela qual muitas vezes ele inclui memórias descritivas dos trabalhos, comentários críticos sobre fases específicas de uma das etapas de um trabalho… e por aí piscar

o que provavelmente tu tens observado em situações comuns é reflexo de um mau uso do portfólio – ou por parte de quem o faz ou por parte de quem o solicita

apenas para que esta questão não fique apenas associada a situações de ensino…o uso de portfólios é comum quando desejamos angariar trabalho, ou por encomenda ou num Gabinete… também é comum utilizá-lo para efeitos de criação de uma carteira de clientes; nestes casos, é de facto habitual o portfólio mostrar apenas os produtos (exemplos daquilo que somos capazes de fazer… ou seja, a nossa “ideia” e as nossas “mãos”, que é no fundo aquilo que interessa para quem encomenda trabalho… nestes casos é assim porque, convenhamos, não interessará para nada ao nosso potencial cliente se a gente pensa assim ou assado o nosso processo de trabalho, ou se somos críticos face a isto ou àquilo… ao cliente interessa é mesmo e tão só o que somos capazes de fazer… LOL… ou, por miúdos, se temos mesmo unhas para tocar certas guitarras grande sorriso)

mas, em situação de ensino-aprendizagem, as coisas querem-se diferentes porque o que está mesmo em causa é, a maior parte das vezes, o processo em si, a capacidade de correcção e de mudança,… e isso requer reflexão; logo, o portfólio deve dar conta disso, sem dúvida sorriso

o que considero mais relevante em termos dos e-portfólios prende-se com aquilo que a tecnologia e a técnica digitais possibilitam e que permitem estratégias de análise e de revelação muito mais científicas e frequentes… com isto quero dizer que aqui, nestes meios, o autor de um e-portfólio pode integrar uma amostragem de processo extraordinariamente refinada (em sentido estrito do termo) porque a tecnologia digital permite fazer simulação efectiva, com muito menos esforço, tempo, mão-de-obra… se eu quiser mostrar as etapas de um processo de trabalho e o modo como elas foram evoluindo, sendo corrigidas, repensadas, blá, blá, blá… posso fazê-lo, com facilidade, e mostrar tudo como se estivesse a mostrar um filme de vida desse processo de trabalho             piscar imagina o que seria preciso para efectuar tudo isso em contexto presencial, com recurso a materiais fisicamente palpáveis ou através de um guião ilustrado (perdendo-se neste caso muito, em contexto de simulação “dinâmica”)

um aspecto que também considero relevante é distinguir o uso de portfólio em contexto on-line ou de apenas se recorrer à tecnologia digital para efeitos da sua execução…….. em ambos os casos o que interessa é o recurso a ferramentas de simulação (porque muito do resto são apenas ferramentas de aperfeiçoamento “realista” das formas e dos “mecanismos”)           porém, a utilização de um portfólio on-line, torna-se bastante interessante pelo que permite de abordagens interactivas no próprio portfólio… diria mesmo que o interessante é que, on-line, temos um portfólio sistémico, logo mais próximo da filosofia essencial de um portfólio      piscar e cá está um caso em que o on-line ganha por 1-0 ao off-line l�ngua de foragrande sorriso

em conclusão: portfólios SIM  mas com recurso a tudo o que faz sentido para que um portfólio seja digno da sua ideia; isto em contexto presencial ou on-line        porque interessa, num caso e noutro, que o portfólio faça uso de ferramentas que o tornem inteligente e o veiculem como a essência do pensamento e da acção do seu autor face aos produtos que ele encerra

josemota

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