{"id":19,"date":"2006-02-11T12:18:06","date_gmt":"2006-02-11T12:18:06","guid":{"rendered":"http:\/\/mpel2006.wordpress.com\/2006\/02\/11\/ong-orality-and-literacy-cap-iv-implicacoes-para-a-compreensao-da-comunicacao-mediatizada-e-da-educacao\/"},"modified":"2006-02-11T12:18:06","modified_gmt":"2006-02-11T12:18:06","slug":"ong-orality-and-literacy-cap-iv-implicacoes-para-a-compreensao-da-comunicacao-mediatizada-e-da-educacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/josemota.pt\/mpel2006\/2006\/02\/11\/ong-orality-and-literacy-cap-iv-implicacoes-para-a-compreensao-da-comunicacao-mediatizada-e-da-educacao\/","title":{"rendered":"Ong: Orality and Literacy &#8211; Cap. IV &#8211; Implica\u00e7\u00f5es para a compreens\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o mediatizada e da educa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>As implica\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios dos aspectos presentes neste cap\u00edtulo IV do texto de Ong para a comunica\u00e7\u00e3o mediatizada e para a educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o v\u00e1rias e importantes. Refira-se, a t\u00edtulo de exemplo, que a adop\u00e7\u00e3o desta perspectiva torna absolutamente imprescind\u00edvel que o des\u00edgnio primeiro e mais importante da escola seja o dom\u00ednio razo\u00e1vel da express\u00e3o escrita na l\u00edngua materna, dada a import\u00e2ncia que tem para a estrutura\u00e7\u00e3o do pensamento abstracto e para o acesso ao conhecimento complexo. Contudo, e por raz\u00f5es de economia compreens\u00edveis, concentramo-nos apenas em algumas implica\u00e7\u00f5es relativas ao EaD.<!--more--><br \/>\nDado o facto de a comunica\u00e7\u00e3o no EaD ser, sobretudo, realizada atrav\u00e9s da escrita, um dos aspectos mais relevantes parece-nos ser o da aus\u00eancia de contexto f\u00edsico real neste tipo de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto que a palavra oral est\u00e1 enraizada no contexto de enuncia\u00e7\u00e3o, nas circunst\u00e2ncias, no presente real e existencial, a palavra escrita est\u00e1 isolada desse contexto. Na escrita, as palavras aparecem sozinhas no texto, e quem as escreve est\u00e1 tamb\u00e9m sozinho e n\u00e3o na presen\u00e7a do interlocutor. A escrita opera, al\u00e9m disso e por causa disso, um distanciamento entre o texto e o seu autor que, por um lado, lhe confere uma maior objectividade (ainda que possa ser aparente) e, por outro, confere ao discurso um car\u00e1cter definitivo e perene: o texto n\u00e3o pode ser directamente refutado, diz sempre o que diz, apenas pode ser interpretado, e essa \u00e9 sempre uma \u00e1rea de incerteza.<\/p>\n<p>O facto de o contexto extratextual estar ausente n\u00e3o s\u00f3 para o\u00a0 leitor como para o escritor obriga a que, para se ser claro na aus\u00eancia de gestos, express\u00f5es faciais, entoa\u00e7\u00e3o, receptor, seja preciso prever todos os sentidos poss\u00edveis que o texto pode exprimir, ao mesmo tempo que se imagina um receptor\/interlocutor, e as circunst\u00e2ncias da sua recep\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o sempre, em certa medida, uma fic\u00e7\u00e3o (e \u00e9 precisamente neste deslocamento que emerge a ambiguidade).<\/p>\n<p>Em termos pr\u00e1ticos, nos contextos a dist\u00e2ncia isso implica um cuidado adicional com os termos em que elabora o discurso, quer no sentido de veicular informa\u00e7\u00e3o de forma n\u00e3o-amb\u00edgua, quer no sentido de evitar mal-entendidos que possam resultar de usos metaf\u00f3ricos ou figurativos, como sejam, por exemplo, o humor ou a ironia.<\/p>\n<p>Outro aspecto relevante, e relacionado com este, \u00e9 a no\u00e7\u00e3o de escrita como tecnologia, ou seja, como algo que, se interiorizado de forma adequada, expande as capacidades do ser humano. Em concreto, permite a estrutura\u00e7\u00e3o do pensamento em termos mais abstractos, aumenta a consci\u00eancia sobre o discurso que se elabora, aumenta a capacidade de introspec\u00e7\u00e3o e an\u00e1lise e, por consequ\u00eancia, a realiza\u00e7\u00e3o de tarefas cognitivas mais complexas e o acesso a um conhecimento mais profundo.<\/p>\n<p>Pelo facto de ser um processo que n\u00e3o se desenrola numa situa\u00e7\u00e3o s\u00edncrona de comunica\u00e7\u00e3o, a escrita permite reelaborar o discurso (eliminar, apagar ou mudar o que se escreveu) antes de se tornar p\u00fablico, ao contr\u00e1rio da oralidade, em que o que se disse n\u00e3o pode ser j\u00e1 retirado, apenas retractado.<\/p>\n<p>Interessante em algumas formas de comunica\u00e7\u00e3o presentes no contextos a dist\u00e2ncia, como o chat, por exemplo, \u00e9 que embora se esteja a comunicar atrav\u00e9s da palavra escrita, essa comunica\u00e7\u00e3o configura um misto entre as circunst\u00e2ncias da linguagem escrita e da linguagem oral. O contexto extratextual continua ausente, mas a comunica\u00e7\u00e3o desenrola-se num presente real (\u00e9 s\u00edncrona) e exibe muitas das caracter\u00edsticas do discurso oral: n\u00e3o h\u00e1 lugar a reelabora\u00e7\u00e3o do texto, n\u00e3o h\u00e1 situa\u00e7\u00e3o solit\u00e1ria de nenhum dos interlocutores, as necessidades de flu\u00eancia e rapidez na comunica\u00e7\u00e3o levam \u00e0 adop\u00e7\u00e3o de um registo mais pr\u00f3ximo do oral e do informal do que da linguagem escrita.<\/p>\n<p>O mesmo pode acontecer, ainda que um pouco mitigado, nas discuss\u00f5es ass\u00edncronas com alto grau de interac\u00e7\u00e3o e frequ\u00eancia de interven\u00e7\u00e3o, dado que as contribui\u00e7\u00f5es tendem a ser relativamente curtas e, dado o car\u00e1cter de \u201curg\u00eancia\u201d ou \u201coportunidade\u201d que as move, o tempo para uma eventual reflex\u00e3o \u00e9 bastante curto, sendo frequente que n\u00e3o haja qualquer reelabora\u00e7\u00e3o do discurso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As implica\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios dos aspectos presentes neste cap\u00edtulo IV do texto de Ong para a comunica\u00e7\u00e3o mediatizada e para a educa\u00e7\u00e3o s\u00e3o v\u00e1rias e importantes. 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