{"id":24,"date":"2006-05-01T15:09:47","date_gmt":"2006-05-01T15:09:47","guid":{"rendered":"http:\/\/mpel2006.wordpress.com\/2006\/05\/01\/o-publico-e-o-privado-a-proposito-do-real-e-do-virtual\/"},"modified":"2006-05-01T15:09:47","modified_gmt":"2006-05-01T15:09:47","slug":"o-publico-e-o-privado-a-proposito-do-real-e-do-virtual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/josemota.pt\/mpel2006\/2006\/05\/01\/o-publico-e-o-privado-a-proposito-do-real-e-do-virtual\/","title":{"rendered":"O P\u00fablico e o Privado (a prop\u00f3sito do real e do virtual)"},"content":{"rendered":"<p>Muito interessante a forma como Maria Elisa Sayeg aborda a quest\u00e3o dos blogs e da &#8220;partilha da privacidade&#8221; e a relaciona com a no\u00e7\u00e3o do &#8220;cultivo da subjectividade como um produto&#8221; t\u00edpica da sociedade de consumo p\u00f3s-moderna.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que sendo o Ciberespa\u00e7o um territ\u00f3rio relativamente novo da experi\u00eancia e da actividade humanas, a nossa percep\u00e7\u00e3o sobre as caracter\u00edsticas e a natureza desse territ\u00f3rio vai evoluindo mais devagar do que a nossa viv\u00eancia dele. Muitas pessoas t\u00eam, de facto, dificuldade em percepcionar que o que partilham\/disponibilizam numa p\u00e1gina da Internet est\u00e1 no espa\u00e7o p\u00fablico global, acess\u00edvel a todos. Com a agravante de, ao contr\u00e1rio das formas tradicionais de discurso p\u00fablico, o acesso ao autor e a manipula\u00e7\u00e3o do &#8220;dito&#8221; ser incomparavelmente mais f\u00e1cil no mundo digital em rede.<\/p>\n<p>Mas se existe uma tend\u00eancia para partilhar mais do espa\u00e7o privado de cada um, a verdade \u00e9 que isso n\u00e3o significa que se partilhe uma intimidade ou uma autenticidade do ser. O que as pessoas mostram ao mundo n\u00e3o \u00e9 o que s\u00e3o, mas o que querem parecer, e o facto de isso ser maioritariamente veiculado atrav\u00e9s da escrita d\u00e1 um controlo razoavelmente extenso.<\/p>\n<p>Mesmo quando se usam imagens ou video, como o caso referido de Jenni, o que se conclui \u00e9 que ela est\u00e1 a partilhar uma pseudo-privacidade, uma ilus\u00e3o de intimidade &#8211; o que vemos \u00e9 a superf\u00edcie das coisas (os objectos, os espa\u00e7os). Ou seja, <em>mostra-se<\/em> mas n\u00e3o se<em> revela<\/em>.<\/p>\n<p>V\u00e1rios destes aspectos, ali\u00e1s &#8211; a fragmentaridade do sujeito, a multiplicidade de identidades (ou a instabilidade da no\u00e7\u00e3o de identidade), a permeabilidade entre o espa\u00e7o p\u00fablico e o espa\u00e7o privado, a encena\u00e7\u00e3o do ser que se quer parecer, etc. &#8211; s\u00e3o, como discutimos em CE a prop\u00f3sito do L\u00e9vy, marcas da cultura p\u00f3s-moderna, estabilizadas e reconhec\u00edveis muito antes de a Internet exisir e estar disseminada. O que parece acontecer \u00e9 que a natureza do digital (dada a sua modularidade e transformabilidade), por um lado, e as possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o multi-lateral das redes criaram um espa\u00e7o muito adequado \u00e0 express\u00e3o e desenvolvimento destes aspectos. Nesse sentido, \u00e9 interessante lembrar o que diz Castells:<\/p>\n<p><em>Os sistemas tecnol\u00f3gicos produzem-se socialmente e a produ\u00e7\u00e3o social \u00e9 determinada pela cultura<\/em>.<\/p>\n<p>Sem negar, naturalmente, que a utiliza\u00e7\u00e3o das tecnologias (a viv\u00eancia do territ\u00f3rio)\u00a0possui depois uma din\u00e2mica pr\u00f3pria que gera transforma\u00e7\u00f5es e produz formas novas de express\u00e3o cultural e social.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito interessante a forma como Maria Elisa Sayeg aborda a quest\u00e3o dos blogs e da &#8220;partilha da privacidade&#8221; e a relaciona com a no\u00e7\u00e3o do &#8220;cultivo da subjectividade como um produto&#8221; t\u00edpica da sociedade de consumo p\u00f3s-moderna. 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