{"id":26,"date":"2006-05-06T20:44:53","date_gmt":"2006-05-06T20:44:53","guid":{"rendered":"http:\/\/mpel2006.wordpress.com\/2006\/05\/06\/o-que-e-um-ambiente-virtual-de-aprendizagem-comentando-dillenbourg\/"},"modified":"2006-05-06T20:44:53","modified_gmt":"2006-05-06T20:44:53","slug":"o-que-e-um-ambiente-virtual-de-aprendizagem-comentando-dillenbourg","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/josemota.pt\/mpel2006\/2006\/05\/06\/o-que-e-um-ambiente-virtual-de-aprendizagem-comentando-dillenbourg\/","title":{"rendered":"O que \u00e9 um Ambiente Virtual de Aprendizagem? (comentando Dillenbourg)"},"content":{"rendered":"<p>Acho que um dos aspectos essenciais para enquadrar bem a abordagem que Dillenbourg tem aos AVA \u00e9 perceber que estamos perante uma perspectiva que se enraiza no ensino presencial e n\u00e3o no ensino a dist\u00e2ncia ou no ensino online. Isso explica as compara\u00e7\u00f5es recorrentes, a tend\u00eancia para os olhar mais como espa\u00e7os complementares do que como constituindo a base de um novo dom\u00ednio educativo, ou o enfoque indisfar\u00e7\u00e1vel nas supostas vantagens do b-learning, que \u00e9 um dos grandes equ\u00edvocos actuais no que toca ao e-learning, geralmente a linha de fuga das institui\u00e7\u00f5es presenciais que querem dar um ar da sua gra\u00e7a no que toca ao admir\u00e1vel mundo novo sem grandes mudan\u00e7as: continuamos a fazer o mesmo de sempre, pomos umas coisas online e a\u00ed estamos n\u00f3s a fazer b-learning. N\u00e3o quer isto dizer que o texto de Dillenbourg n\u00e3o seja bem interessante, ou que nele n\u00e3o encontremos alguns aspectos fundamentais a reter:<\/p>\n<p>&#8211; o primado dos aspectos pedag\u00f3gicos sobre os aspectos tecnol\u00f3gicos, v\u00e1rias vezes referido, que \u00e9 uma mensagem nada f\u00e1cili de fazer passar;<\/p>\n<p>&#8211; a distin\u00e7\u00e3o muito feliz entre espa\u00e7os (spaces) &#8211; onde existe a informa\u00e7\u00e3o, e lugares (places) &#8211; onde existem viv\u00eancias e interac\u00e7\u00f5es (uma cultura, tamb\u00e9m);<\/p>\n<p>&#8211; a no\u00e7\u00e3o clara de que o grande desafio pedag\u00f3gico n\u00e3o \u00e9 imitar as interac\u00e7\u00f5es presenciais, outra mensagem terrivelmente dif\u00edcil de fazer passar, face \u00e0 depend\u00eancia da presencialidade que reclama sempre pelos chats, video-confer\u00eancias, etc., mesmo se \u00e0 custa de argumentos que derivam mais da idealiza\u00e7\u00e3o da realidade do que da realidade ela mesma (e.g. o suposto calor humano, a comunica\u00e7\u00e3o olhos nos olhos, a interac\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea e viva, etc. etc., que pura e simplesmente est\u00e3o ausentes na maior parte dos contextos presenciais de ensino superior);<\/p>\n<p>&#8211; ligado a este aspecto, a no\u00e7\u00e3o de que os grupos de utilizadores e as ferramentas constituem sistemas cognitivos distribu\u00eddos, que se auto-organizam para se adaptar ao contexto, n\u00e3o havendo por isso perda relativamente ao ensino presencial, mas diferen\u00e7a;<\/p>\n<p>&#8211; a ideia de que um sentimento de comunidade n\u00e3o emerge do simples facto de as pessoas comunicarem por via electr\u00f3nica, que \u00e9 preciso muito tempo, muita interac\u00e7\u00e3o, a partilha de objectivos e de experi\u00eancias;<\/p>\n<p>&#8211; a no\u00e7\u00e3o de que a aprendizagem tamb\u00e9m significa\/\u00e9 uma entrada numa nova cultura, espec\u00edfica de uma profiss\u00e3o ou actividade (da\u00ed a import\u00e2ncia crescente das comunidades de pr\u00e1ticas);<\/p>\n<p>&#8211; a migra\u00e7\u00e3o da no\u00e7\u00e3o de colabora\u00e7\u00e3o da aprendizagem para o ensino &#8211; o desafio de transformar o ensino numa performance colectiva (e mais uma vez a import\u00e2ncia das comunidades de pr\u00e1ticas);<\/p>\n<p>&#8211; a constata\u00e7\u00e3o, para muitos certamente surpreendente, que as pr\u00e1ticas de ensino nos contextos online t\u00eam constitu\u00eddo uma fonte de renova\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o, com um impacto positivo nas pr\u00e1ticas de ensino nos contextos presenciais.<\/p>\n<p>Relativamente \u00e0 caracteriza\u00e7\u00e3o espec\u00edfica dos AVA, parece-me apenas que o &#8220;caderno de encargos&#8221; requerido para merecer a designa\u00e7\u00e3o \u00e9 um pouco excessivo, sobretudo se compararmos com a facilidade com que se consegue o t\u00edtulo de AA\u00a0 O ponto 1.3, por exemplo, al\u00e9m de ser um requisito muito exigente, \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 ideia (ou assim parece, \u00e0 partida), de que os AVA podem acolher uma grande diversidade de abordagens pedag\u00f3gicas; o ponto 1.7 \u00e9 um problema da perspectiva de partida, perspectiva essa que parece ser tamb\u00e9m a fonte de alguma confus\u00e3o nesta ideia um pouco limitada e simplista dos AVAs como uma nova gera\u00e7\u00e3o de aprendizagem mediada por computador, entendendo esta (o EMC) sobretudo como auto-aprendizagem sem professor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acho que um dos aspectos essenciais para enquadrar bem a abordagem que Dillenbourg tem aos AVA \u00e9 perceber que estamos perante uma perspectiva que se enraiza no ensino presencial e n\u00e3o no ensino a dist\u00e2ncia ou no ensino online. 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