{"id":36,"date":"2006-10-07T16:19:32","date_gmt":"2006-10-07T16:19:32","guid":{"rendered":"http:\/\/mpel2006.wordpress.com\/2006\/10\/07\/pluralidade-nao-objectividade-e-funcao-social-da-avaliacao\/"},"modified":"2006-10-07T16:19:32","modified_gmt":"2006-10-07T16:19:32","slug":"pluralidade-nao-objectividade-e-funcao-social-da-avaliacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/josemota.pt\/mpel2006\/2006\/10\/07\/pluralidade-nao-objectividade-e-funcao-social-da-avaliacao\/","title":{"rendered":"Pluralidade, (N\u00e3o) Objectividade e Fun\u00e7\u00e3o Social da Avalia\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Dif\u00edcil, num texto muito interessante e estimulante sobre a avalia\u00e7\u00e3o (Jorge Pinto, &#8220;A Avalia\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o: da linearidade dos usos \u00e0 complexidade das pr\u00e1ticas\u201d, no prelo), destacar tr\u00eas aspectos, sobretudo porque muitos deles est\u00e3o intimamente relacionados e s\u00e3o interdependentes. Mas depois deste choradinho, aqui fica a minha escolha:<\/p>\n<p><strong>Pluralidade\/Pluralismo em Avalia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Este parece-me um aspecto essencial para pensar a avalia\u00e7\u00e3o hoje. Dadas as \u00e1reas, contextos e finalidades em que a avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 um elemento integrante de relevo, \u00e9 importante perceber que existem estrat\u00e9gias, modos e instrumentos de avalia\u00e7\u00e3o mais adequados e eficazes para cada um deles, e que n\u00e3o existe, como Jorge Pinto bem refere, uma Avalia\u00e7\u00e3o, mas sim Avalia\u00e7\u00f5es. Ele \u00e9 tanto mais importante devido ao facto de, por circunst\u00e2ncias v\u00e1rias normalmente ligadas a uma economia liberal orientada para o lucro, a normaliza\u00e7\u00e3o e o consumo, a avalia\u00e7\u00e3o ser sobretudo vista na perspectiva mais conservadora, como algo que permite chegar \u00e0 verdade das coisas e que se torna o regulador da ac\u00e7\u00e3o e das decis\u00f5es, sendo outras perspectivas sobre avalia\u00e7\u00e3o, mais adequadas para muitos contextos, esquecidas ou desvalorizadas.\u00a0<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Objectividade-Neutralidade-Isen\u00e7\u00e3o da Avalia\u00e7\u00e3o (ou a sua aus\u00eancia) <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 nesta perspectiva da avalia\u00e7\u00e3o que se tem sustentado a sua crescente invas\u00e3o e preponder\u00e2ncia em v\u00e1rias \u00e1reas, desde a educa\u00e7\u00e3o \u00e0s empresas e institui\u00e7\u00f5es, relativamente ao funcionamento e desempenho das organiza\u00e7\u00f5es e dos indiv\u00edduos. \u00c9 nela que assenta essa cren\u00e7a de que avaliar mais \u00e9 avaliar melhor e constitui o caminho mais r\u00e1pido e mais seguro para melhorar as coisas. Essa ideia de que podemos medir com efic\u00e1cia e certeza a qualidade e o desempenho do que avaliamos confere \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o esse car\u00e1cter \u201ccient\u00edfico\u201d, naturalmente refor\u00e7ado pela formaliza\u00e7\u00e3o e ritualiza\u00e7\u00e3o dos actos, momentos e instrumentos de avalia\u00e7\u00e3o. Funcionando numa esp\u00e9cie de circuito fechado, burocratizado, o sistema auto-alimenta-se auto-refor\u00e7a-se, ganhando consequentemente uma forte legitimidade social (os n\u00fameros n\u00e3o mentem, os n\u00fameros s\u00e3o a realidade). Sendo certo que existem contextos e objectos de avalia\u00e7\u00e3o em que esta perspectiva objectiva e mensur\u00e1vel da avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 adequada e eficaz, existem muitos outros em que n\u00e3o \u00e9, constituindo at\u00e9 um impedimento s\u00e9rio ao desenvolvimento de estrat\u00e9gias de avalia\u00e7\u00e3o adequadas. A verdade \u00e9 que em muitas situa\u00e7\u00f5es a avalia\u00e7\u00e3o deve ser vista como um processo complexo, enquadrado num contexto cultural e social espec\u00edfico, orientado sobretudo para a resolu\u00e7\u00e3o de problemas, dificuldades ou defici\u00eancias na ac\u00e7\u00e3o dos indiv\u00edduos e das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>A Fun\u00e7\u00e3o Social da Avalia\u00e7\u00e3o <\/strong><\/p>\n<p>Esta no\u00e7\u00e3o da avalia\u00e7\u00e3o como uma resposta a pedidos sociais explica, em grande parte, a preponder\u00e2ncia dada \u00e0 perspectiva da avalia\u00e7\u00e3o como medida, visto que ela acaba por funcionar como um instrumento poderoso de controlo social e de reprodu\u00e7\u00e3o de valores e comportamentos. Foucault falava dos exames como fazendo parte das pr\u00e1ticas de vigil\u00e2ncia, enclausuramento e ortopedia social (como refere o texto). Lendo Foucault e actualizando a sua reflex\u00e3o, Deleuze (1995, citado por Ulises Ali Mejias em <em><a href=\"http:\/\/ideant.typepad.com\/ideant\/2006\/08\/confinement_edu.html\" target=\"_blank\">Confinement, Education and the Control Society<\/a><\/em>) fala das sociedades de controlo para as quais caminhamos, j\u00e1 n\u00e3o orientadas para o enclausuramento mas para o controlo cont\u00ednuo e a comunica\u00e7\u00e3o instant\u00e2nea. A educa\u00e7\u00e3o, em vez de constituir um processo de aperfei\u00e7oamento do indiv\u00edduo, torna-se um processo cont\u00ednuo de avalia\u00e7\u00e3o face \u00e0s normas estabelecidas numa sociedade de consumo e de servi\u00e7os, e assim se transforma a educa\u00e7\u00e3o num neg\u00f3cio. Basicamente, a conclus\u00e3o de Jorge Pinto \u00e9 uma cr\u00edtica que vai no mesmo sentido, quando afirma que \u201cO progresso e bem-estar social estiveram sempre associados \u00e0 aprendizagem enquanto processo de valoriza\u00e7\u00e3o pessoal e afastados da repress\u00e3o muitas vezes legitimada pela pr\u00f3pria avalia\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dif\u00edcil, num texto muito interessante e estimulante sobre a avalia\u00e7\u00e3o (Jorge Pinto, &#8220;A Avalia\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o: da linearidade dos usos \u00e0 complexidade das pr\u00e1ticas\u201d, no prelo), destacar tr\u00eas aspectos, sobretudo porque muitos deles est\u00e3o intimamente relacionados e s\u00e3o interdependentes. 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