{"id":44,"date":"2006-12-07T13:21:52","date_gmt":"2006-12-07T13:21:52","guid":{"rendered":"http:\/\/mpel2006.wordpress.com\/2006\/12\/07\/avaliacao-online-mais-e-melhor\/"},"modified":"2006-12-07T13:21:52","modified_gmt":"2006-12-07T13:21:52","slug":"avaliacao-online-mais-e-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/josemota.pt\/mpel2006\/2006\/12\/07\/avaliacao-online-mais-e-melhor\/","title":{"rendered":"Avalia\u00e7\u00e3o Online: mais \u00e9 melhor?"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\"><font face=\"Trebuchet MS, sans-serif\">O texto da Stella Porto \u00e9 interessante como uma abordagem\u00a0\u00e0s quest\u00f5es essenciais da avalia\u00e7\u00e3o que me pareceu clara e acess\u00edvel. Acho, por isso, que \u00e9 um bom texto introdut\u00f3rio para falar da necessidade de interliga\u00e7\u00e3o e articula\u00e7\u00e3o entre a aprendizagem e a avalia\u00e7\u00e3o, da import\u00e2ncia da avalia\u00e7\u00e3o formativa e do feedback, da necessidade de diversificar instrumentos e modos de avalia\u00e7\u00e3o ou da utiliza\u00e7\u00e3o que se pode fazer dos dados da avalia\u00e7\u00e3o sumativa para melhorar os processos de ensino e de aprendizagem. Tamb\u00e9m muito relevante \u00e9 a refer\u00eancia \u00e0s Rubricas enquanto instrumento de avalia\u00e7\u00e3o clarificador do ensino e da aprendizagem, permitindo um referencial comum e, nesse sentido, um terreno partilhado de di\u00e1logo e entendimento entre professor e aluno sobre a avalia\u00e7\u00e3o de determinada actividade ou produto. Enquanto instrumento que\u00a0descreve e fundamenta as op\u00e7\u00f5es de avalia\u00e7\u00e3o\/classifica\u00e7\u00e3o\u00a0de forma clara, elas s\u00e3o tamb\u00e9m um bom apoio para o desenvolvimento dos processos de auto-avalia\u00e7\u00e3o nos alunos.<\/font><\/p>\n<p><font face=\"Trebuchet MS\">\u00a0<\/font><font face=\"Trebuchet MS\">Em termos de uma reflex\u00e3o mais alargada, acho que \u00e9 preciso, sempre, nesta como noutras situa\u00e7\u00f5es, combinar o saber produzido numa determinada \u00e1rea e segundo uma determinada perspectiva com outras informa\u00e7\u00f5es, saberes e vari\u00e1veis que interagem entre si quanto se passa da reflex\u00e3o te\u00f3rica \u00e0 pr\u00e1tica e, portanto, se tenta operacionalizar esse(s) sabere(s). \u00c9 muito diferente avaliar crian\u00e7as no 1\u00ba ciclo do ensino b\u00e1sico, jovens no ensino secund\u00e1rio, jovens adultos no ensino superior ou adultos possuidores j\u00e1 de curr\u00edculos e experi\u00eancias com razo\u00e1vel extens\u00e3o e diversidade em cursos de especializa\u00e7\u00e3o ou alargamento de compet\u00eancias. O grau de depend\u00eancia\u00a0relativamente ao apoio do professor na progress\u00e3o da aprendizagem ou \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o desse &#8220;professor que sabe&#8221; para regular\/validar essa mesma aprendizagem \u00e9 diferente em todas estas situa\u00e7\u00f5es.<\/font><font face=\"Trebuchet MS\" \/><font face=\"Trebuchet MS\">\u00a0<\/font><font face=\"Trebuchet MS\">Considero a avalia\u00e7\u00e3o muito importante e um aspecto essencial na aprendizagem, mas n\u00e3o sou um entusiasta (sou, pelo contr\u00e1rio, muito cr\u00edtico) da avalia\u00e7\u00e3o Martini, a qualquer hora e em qualquer lugar, omnipresente, omnisciente, raz\u00e3o e finalidade da aprendizagem. Acho que ela deve ter o seu lugar nos momentos adequados, mas h\u00e1 muita aprendizagem (felizmente) para al\u00e9m da avalia\u00e7\u00e3o de um professor ou de outra entidade qualquer. J\u00e1 noutros momentos referi como acho negativa a actual tend\u00eancia, dentro e fora da Educa\u00e7\u00e3o, para ver a avalia\u00e7\u00e3o como o rem\u00e9dio para todos os males e a cura para todos os problemas. <\/font><font face=\"Trebuchet MS\" \/><font face=\"Trebuchet MS\"><\/p>\n<p class=\"western\"><font face=\"Trebuchet MS\">Este aspecto \u00e9 importante no ensino online (tamb\u00e9m nos outros n\u00edveis e modalidades de ensino, mas isso ficar\u00e1 para outra ocasi\u00e3o)\u00a0&#8211; tipicamente ensino de adultos, maioritariamente com experi\u00eancias pessoais e profissionais ricas &#8211; porque normalmente surge associado\u00a0\u00e0 figura do professor &#8220;tutelar&#8221;, sempre presente e para onde todos os olhares se viram na busca da valida\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica e permanente dos saberes que se v\u00e3o adquirindo. Esta perspectiva \u00e9 m\u00e1, porque \u00e9 contradit\u00f3ria com uma s\u00e9rie de princ\u00edpios fundamentais que vale a pena observar no\u00a0ensino online &#8211; autonomia, independ\u00eancia, auto-reflex\u00e3o e auto-avalia\u00e7\u00e3o, dimens\u00e3o social da aprendizagem, partilha de poder\/controlo com o grupo por parte do professor, constru\u00e7\u00e3o partilhada e colaborativa do conhecimento entre os membros do grupo e desaparecimento do professor como elemento central e concentrador do processo, papel que passa a ser desempenhado pelo grupo.\u00a0Para que o grupo funcione e se possa beneficiar do seu potencial em termos do enquadramento das aprendizagens e da constru\u00e7\u00e3o\u00a0do saber,\u00a0\u00e9 fundamental que o professor saiba gerir o seu n\u00edvel de presen\u00e7a e de interven\u00e7\u00e3o nesses processos, exercendo um papel &#8220;regulador&#8221; mas n\u00e3o monopolizando aten\u00e7\u00f5es nem tornando o grupo dependente da sua voz e do seu julgamento.\u00a0Naturalmente que, em modelos que prev\u00eaem um professor, este ter\u00e1 o seu papel importante na avalia\u00e7\u00e3o das aprendizagens, seja atrav\u00e9s da avalia\u00e7\u00e3o formativa e respectivo feedback em momentos determinados, esclarecendo aspectos menos conseguidos, real\u00e7ando outros com muito sucesso, seja atrav\u00e9s da avalia\u00e7\u00e3o sumativa que oriente e informe sobre o grau de consecu\u00e7\u00e3o dos objectivos de aprendizagem.\u00a0Mas existem outras formas de um adulto informado e experiente, enquadrado num grupo com objectivos comuns, aferir do grau de consecu\u00e7\u00e3o das suas aprendizagens ou da sua performance: a sua pr\u00f3pria reflex\u00e3o e an\u00e1lise a partir dos textos ou outros\u00a0materiais que estuda; as reflex\u00f5es dos outros e as suas performances relativamente \u00e0s mat\u00e9rias em estudo; a avalia\u00e7\u00e3o e a cr\u00edtica dos seus pares; os reparos ou correc\u00e7\u00f5es que v\u00ea serem feitos ao trabalho de outros, seja por pares ou pelo professor. Esse articula\u00e7\u00e3o \u00e9 que \u00e9 o caminho que conduz \u00e0 autonomia e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o partilhada e colaborativa de saberes. <\/font><\/p>\n<p class=\"western\"><font face=\"Trebuchet MS\">Existem modelos, como o de Gilly Salmon, por exemplo (e este \u00e9 um exemplo relevante porque \u00e9 um dos modelos com muita popularidade entre os membros do MPEL) que nem sequer prev\u00eaem a exist\u00eancia de um professor, i.e. de algu\u00e9m cuja fun\u00e7\u00e3o seja &#8220;ensinar&#8221; e &#8220;certificar&#8221; ou &#8220;validar&#8221; as aprendizagens. Para Salmon, ao e-moderador basta-lhe ter um n\u00edvel de conhecimento dos conte\u00fados equivalente ao dos participantes, porque a sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 facilitar os processos de reflex\u00e3o, de\u00a0comunica\u00e7\u00e3o e de partilha entre os membros do grupo, porque \u00e9 da\u00ed que nasce o conhecimento e se faz a apropria\u00e7\u00e3o do saber (segundo este modelo). O e-moderador \u00e9, no fundo, um gestor eficiente e competente do fluxo de informa\u00e7\u00e3o e das interac\u00e7\u00f5es (entre estudantes e entre estes e os conte\u00fados\/materiais), um entre pares com fun\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de facilita\u00e7\u00e3o do trabalho do grupo e do trabaho\u00a0individual. \u00c9 bom de ver as consequ\u00eancias que isso acarreta em termos da valida\u00e7\u00e3o dos saberes constru\u00eddos ou adquiridos, ou seja, da avalia\u00e7\u00e3o. Claro que, sendo este um modelo muito mais orientado para a forma\u00e7\u00e3o em contexto empresarial, esta abordagem \u00e9 adequada. Mas mesmo nos modelos mais pensados para a educa\u00e7\u00e3o formal, o meio acad\u00e9mico e a aprendizagem conducente a certifica\u00e7\u00f5es, como \u00e9 o caso do modelo de Garrison e Anderson, em que o professor tem um papel mais dentro das suas fun\u00e7\u00f5es tradicionais, \u00e9 not\u00f3ria a preocupa\u00e7\u00e3o em desconstruir essa depend\u00eancia e essa centralidade do professor no processo, deslocando para o indiv\u00edduo e o grupo muita da responsabilidade na constru\u00e7\u00e3o da aprendizagem individual e colectiva. <\/font><\/p>\n<p class=\"western\"><font face=\"Trebuchet MS\">A\u00a0no\u00e7\u00e3o algo m\u00edtica do professor omnipresente, validando sempre com a autoridade do seu saber tudo o que o estudante vai realizando num contexto online \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 inating\u00edvel (n\u00e3o haveria horas do dia que chegassem para isso) como indesej\u00e1vel, porque inibe muitos dos aspectos que tornam o meio online um contexto rico e poderoso de forma\u00e7\u00e3o para adultos, e que t\u00eam a ver com a autonomia individual face ao conhecimento e \u00e0 aprendizagem, dada a quantidade de informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel e a experi\u00eancia e o saber que o indiv\u00edduo j\u00e1 possui, mas sobretudo com as potencialidades que um grupo ou comunidade de aprendizagem oferecem \u00e0 forma\u00e7\u00e3o no contexto de uma constru\u00e7\u00e3o partilhada e colaborativa do conhecimento. E isso inclui a avalia\u00e7\u00e3o da aprendizagem que se faz e da performance que se tem. Ressalvando, como \u00e9 \u00f3bvio para mim e para evitar mal-entendidos, que o professor tamb\u00e9m tem um papel importante nesse processo, avaliando o trabalho em momentos determinados e dando feedback (n\u00e3o necessariamente individual, em muitas ocasi\u00f5es) que permita aos estudantes aperfei\u00e7oar aspectos que estejam menos bem.<\/font><\/p>\n<p \/><\/font><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto da Stella Porto \u00e9 interessante como uma abordagem\u00a0\u00e0s quest\u00f5es essenciais da avalia\u00e7\u00e3o que me pareceu clara e acess\u00edvel. 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