{"id":9,"date":"2006-01-09T19:17:48","date_gmt":"2006-01-09T19:17:48","guid":{"rendered":"http:\/\/mpel2006.wordpress.com\/2006\/01\/09\/as-teorias-e-as-praticas-de-ensino-o-modelo-na-relacao-do-ensino-com-a-aprendizagem\/"},"modified":"2006-01-09T19:17:48","modified_gmt":"2006-01-09T19:17:48","slug":"as-teorias-e-as-praticas-de-ensino-o-modelo-na-relacao-do-ensino-com-a-aprendizagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/josemota.pt\/mpel2006\/2006\/01\/09\/as-teorias-e-as-praticas-de-ensino-o-modelo-na-relacao-do-ensino-com-a-aprendizagem\/","title":{"rendered":"As teorias e as pr\u00e1ticas de ensino &#8211; O Modelo na rela\u00e7\u00e3o do ensino com a aprendizagem"},"content":{"rendered":"<p>Autor: Jos\u00e9 Mota<br \/>\nData: Jan 9 2006 5:54:PM\u00a0\u00a0\u00a0<br \/>\nAssunto: As teorias e as pr\u00e1ticas de ensino<\/p>\n<p>Havendo j\u00e1 v\u00e1rias s\u00ednteses, globais ou parciais, muito \u00fateis e, na minha perspectiva, bem elaboradas, a minha contribui\u00e7\u00e3o centra-se mais na quest\u00e3o das pr\u00e1ticas de ensino, ou seja, na perspectiva do professor.<\/p>\n<p>Basta a leitura do documento proposto para se perceber que, se h\u00e1 crise na escola e na educa\u00e7\u00e3o (e parece que este \u00e9 o estado cr\u00f3nico h\u00e1 muito tempo), ela n\u00e3o se deve, certamente, \u00e0 falta de reflex\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica nos mais diversos campos que sobre elas se debru\u00e7am. Mas onde deve o professor colocar-se face a essa produ\u00e7\u00e3o te\u00f3rica?<!--more-->\u00a0Em meu entender, n\u00e3o \u00e9 muito relevante, descontando as idiossincrasias ou interesses particulares, que um professor desenvolva grandes conhecimentos te\u00f3ricos na \u00e1rea da Filosofia, da Sociologia, da Psicologia, etc., ligadas \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 pela dimens\u00e3o e dificuldade da tarefa, mas porque a Pedagogia, nas v\u00e1rias perspectivas que oferece, representa j\u00e1 uma s\u00edntese integradora das contribui\u00e7\u00f5es de \u00e1reas muito diversificadas, propondo modelos de actua\u00e7\u00e3o que procuram ser completos em si mesmos e est\u00e3o j\u00e1 muito direccionados para uma operacionaliza\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque o professor tem, face aos modelos pedag\u00f3gicos que t\u00eam sido sucessivamente propostos, ainda muito trabalho a fazer at\u00e9 chegar \u00e0 pr\u00e1tica concreta de ensinar. Tem, sobretudo, que escolher: primeiro, a abordagem global que vai mais de encontro \u00e0s suas pr\u00f3prias ideias sobre o papel da escola e ao fen\u00f3meno da aprendizagem, sem esquecer as suas caracter\u00edsticas e compet\u00eancias pessoais; depois, e em v\u00e1rios momentos, quais as pr\u00e1ticas mais adequadas \u00e0s circunst\u00e2ncias em que decorre o ensino e a aprendizagem \u2013 alunos, contexto, conte\u00fados, etc. \u2013 acreditando, como creio ser mais ou menos pac\u00edfico, que n\u00e3o h\u00e1 modelos que sejam bons ou maus em absoluto, mas sim que h\u00e1 uns mais adequados e mais eficientes do que outros tendo em conta circunst\u00e2ncias espec\u00edficas.<\/p>\n<p>Socorro-me, aqui, de uma cita\u00e7\u00e3o de Arends presente no texto, e que me pode ajudar a clarificar a perspectiva que tenho do trabalho do professor (embora n\u00e3o tenha assim tanto a certeza quanto ao facto de a arte de ensinar n\u00e3o ter a ver com a cria\u00e7\u00e3o da beleza, num certo sentido):<\/p>\n<p>\u201cA arte de ensinar \u00e9 uma arte instrumental ou pr\u00e1tica e n\u00e3o uma das belas-artes que tem como objectivo \u00faltimo a cria\u00e7\u00e3o da beleza. Enquanto arte instrumental, o ensino \u00e9 algo que se afasta de receitas, f\u00f3rmulas ou algoritmos. Requer improvisa\u00e7\u00e3o, espontaneidade, o lidar com m\u00faltiplas possibilidades relativas \u00e0 forma, ao estilo, \u00e0 cad\u00eancia, ao ritmo e \u00e0 adequabilidade de modos t\u00e3o complexos\u201d (Arends, 1995:1).<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio das produ\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas formais, incluindo as da Pedagogia, que se constituem basicamente pela diferen\u00e7a e pela exclus\u00e3o (cada uma pretende constituir-se como vis\u00e3o global, completa, e diferente das outras), a ac\u00e7\u00e3o do professor constitui-se a partir da am\u00e1lgama que vai construindo a partir de elementos e aspectos que nas v\u00e1rias abordagens lhe v\u00e3o \u00fateis ao trabalho que quer desenvolver, combinando, adaptando e reconciliando numa vis\u00e3o integradora aquilo que, nas suas vers\u00f5es puras, \u00e9 frequentemente apresentado como contradit\u00f3rio ou conflituante. Assim, a fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica da pr\u00e1tica de um professor passar\u00e1, sobretudo, por conhecer as abordagens pedag\u00f3gicas mais representativas, tendo consci\u00eancia dos seus pontos fortes e das suas limita\u00e7\u00f5es, ou seja, sabendo o que quer conseguir e o que pode esperar quando utiliza uma determinada abordagem em vez de outra, tendo em conta as aprendizagens que quer promover, o tempo de que disp\u00f5e, as caracter\u00edsticas dos seus alunos, etc., de modo a que a improvisa\u00e7\u00e3o, a espontaneidade ou essa am\u00e1lgama de que falo n\u00e3o redundem num total desnorte e numa pr\u00e1tica a muitos t\u00edtulos ca\u00f3tica.<\/p>\n<p>O pensamento sobre a educa\u00e7\u00e3o, como resulta claro da vasta panor\u00e2mica\u00a0 que o artigo apresenta, acompanhou a evolu\u00e7\u00e3o das ideias relativamente aos indiv\u00edduos e \u00e0 sociedade, seja ao n\u00edvel filos\u00f3fico, pol\u00edtico-econ\u00f3mico ou sociol\u00f3gico: do Iluminismo e da cren\u00e7a na Raz\u00e3o \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e ao estabelecimento do pensamento cient\u00edfico, fundadas na certeza do progresso e do conhecimento; da crise que o Modernismo exprimiu, recuperando muito do pensamento rom\u00e2ntico e estilha\u00e7ando as vis\u00f5es cl\u00e1ssicas do ser uno e das verdades universais, \u00e0s perspectivas estruturalistas, que acreditavam utopicamente poder reconstituir as certezas conferindo uma esp\u00e9cie de \u201ccientificidade\u201d a todas as \u00e1reas do saber, atrav\u00e9s da elabora\u00e7\u00e3o da \u201cgram\u00e1tica\u201d relativa a cada uma delas, derivada do modelo da linguagem; da vis\u00e3o existencialista e humanista \u00e0 ang\u00fastia p\u00f3s-moderna da fragmentaridade e da transitoriedade, e \u00e0 sua natureza relativista e combinat\u00f3ria.\u00a0 Neste percurso, o p\u00eandulo foi oscilando entre alguns bin\u00f3mios relativos \u00e0 perspectiva sobre a sociedade, ao papel da escola, aos indiv\u00edduos e \u00e0 aprendizagem: pendor mais individualista ou mais colectivo\/social; \u00eanfase mais no inato ou no adquirido, i.e. perspectivas mais biol\u00f3gicas ou mais culturais do ser humano; uma escola mais promotora do desenvolvimento pessoal ou mais virada para a qualifica\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a de trabalho produtiva; uma vis\u00e3o da aprendizagem mais como o absorver de um patrim\u00f3nio de saber acumulado e a reprodu\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas e comportamentos ou como o desenvolver de compet\u00eancias e conhecimentos que permitam a ac\u00e7\u00e3o aut\u00f3noma e criativa no mundo, dando especial relevo ao pensamento cr\u00edtico e \u00e0 inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, de uma forma ou de outra, a heran\u00e7a de todos os discursos sobre a educa\u00e7\u00e3o e a aprendizagem coexistem na escola p\u00f3s-moderna, seja ao n\u00edvel das pol\u00edticas, dos desenhos curriculares, dos programas e respectivas orienta\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas, ou das pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas dos professores. \u00c9 precisamente dessa coexist\u00eancia, n\u00e3o isenta de contradi\u00e7\u00f5es, que emergem algumas das dificuldades da escola actual em definir claramente o seu papel e a sua actua\u00e7\u00e3o. Com a agravante adicional de muitas das tarefas e responsabilidades at\u00e9 h\u00e1 pouco tempo distribu\u00eddas por v\u00e1rios sectores e agentes da sociedade no respeita \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e jovens estarem a ser, cada vez mais, transferidas para a escola, ainda organizada segundo um modelo que, em muitos aspectos, n\u00e3o difere muito do que tinha na sociedade industrial.<\/p>\n<p>Num cen\u00e1rio deste tipo, penso que cabe ao professor ser, sobretudo, um encenador que, face a cada pe\u00e7a, escolhe a linguagem ou linguagens adequadas \u00e0 sua natureza, \u00e0s caracter\u00edsticas dos actores de que disp\u00f5e e ao p\u00fablico a que esta se destina, e n\u00e3o o disc\u00edpulo fiel de uma qualquer abordagem \u00e0 qual tenta moldar todas as realidades com que interage. Como disse j\u00e1, isso implica, naturalmente, ter uma cultura pedag\u00f3gica adequada; mas implica, tamb\u00e9m, aquilo de que sempre se fala muito pouco, que \u00e9 um projecto de desenvolvimento pessoal que passe por uma reflex\u00e3o constante sobre as suas pr\u00e1ticas e as suas cren\u00e7as, e a capacidade para utilizar a sua experi\u00eancia como fonte de conhecimento e de aperfei\u00e7oamento.<\/p>\n<p>Fica, certamente, muito por dizer, nomeadamente, por exemplo, se n\u00e3o ter\u00e1 chegado a altura de desfazer aquele bin\u00f3mio que se transformou num enorme clich\u00e9, e d\u00e1 pelo nome de \u201cprocesso de ensino-aprendizagem\u201d. Mas dado o tamanho em que isto j\u00e1 vai, fica para outra oportunidade \ud83d\ude42<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autor: Jos\u00e9 Mota Data: Jan 9 2006 5:54:PM\u00a0\u00a0\u00a0 Assunto: As teorias e as pr\u00e1ticas de ensino Havendo j\u00e1 v\u00e1rias s\u00ednteses, globais ou parciais, muito \u00fateis e, na minha perspectiva, bem elaboradas, a minha contribui\u00e7\u00e3o centra-se mais na quest\u00e3o das pr\u00e1ticas&hellip; <a href=\"https:\/\/josemota.pt\/mpel2006\/2006\/01\/09\/as-teorias-e-as-praticas-de-ensino-o-modelo-na-relacao-do-ensino-com-a-aprendizagem\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-9","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ensinar-e-aprender-com-a-tecnologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/josemota.pt\/mpel2006\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/josemota.pt\/mpel2006\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/josemota.pt\/mpel2006\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/josemota.pt\/mpel2006\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/josemota.pt\/mpel2006\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/josemota.pt\/mpel2006\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/josemota.pt\/mpel2006\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/josemota.pt\/mpel2006\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/josemota.pt\/mpel2006\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}