CE – Manuela, discutindo Lévy e os perigos do “saber informatizado”

Re:Ponto de Vista…e ponto de fuga

Maria,

entendo a tua questão, mas talvez por, contrariamente, ter apreciado mais a leitura do Lévy, vejo as coisas numa outra perspectiva.

“… alertar para o perigo do «saber informatizado» deixar de lado o treino da memória para «o saber de cor»…” diz  a Maria

Não sei se lhe chamaremos perigo ou apenas um alerta de mudança.

Da oralidade primária à rede digital assistimos a uma evolução quer na transmissão do conhecimento, quer nos mecanismos de memorizar o conhecimento, quer na forma de comunicar em sociedade. Nada se perdeu, continuamos a falar, usar algumas mnemónicas próprias da oralidade.

Contudo, não assimilamos conhecimento apenas por esta via (ao contrário do que se passa nas culturas orais primárias, que não conhecem outra forma).

Vou dar um exemplo concreto:

Suponhamos…

De manhã encontramo-nos no café e contas-me que nessa noite nevou e fez muito frio. Assimilo esta informação e no jornal vou tentar saber pormenores desta notícia, com dados mais objectivos e específicos. Leio que o “muito frio” afinal era 0º e nevou em todo o país. À noite vejo na televisão imagens do nevão que cobriu o país de branco. Esta informação levanta-me várias questões que não consigo satisfazer em tempo real numa conversa com quem me esteja próximo nem sequer nos livros e enciclopédias que tenho. A urgência de respostas leve-me à Internet, procuro informar-me sobre o estado do tempo para os próximos dias, como está o resto da Europa, quais as principais causas que levaram a este acontecimento, etc., etc.

A verdade da notícia deixa de ser o cerne da questão. A necessidade de informação em tempo real para dar resposta ás inúmeras questões que se vão colocando passa a ter o papel principal. Quanto mais rápido encontro a resposta a uma questão mais rápido surgem novas questões e procuro novas respostas.

Creio que isto não será um perigo, são consequências da evolução da sociedade, das tecnologias, mas sobretudo da mentalidade/pensamento.

Dependemos da sabedoria, o conhecimento é um vício que quanto mais rapidamente o satisfazemos mais rapidamente passamos a outro estágio. A velocidade que a era digital nos permite evoluir é uma mais valia para o conhecimento. Não dependemos das novas tecnologias mas sim dos novos processos que nos permitem alcançar mais conhecimento.

manuela
 
 

josemota

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *